segunda-feira, 21 setembro 2026
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Brics expressa preocupação com o Oriente Médio e apoia o Brasil na ONU

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Brics expressa preocupação com tensões no Oriente Médio

Os líderes dos países que integram o Brics manifestaram profunda apreensão com a escalada dos conflitos no Oriente Médio durante a reunião de cúpula realizada em Nova Delhi, capital da Índia. Divulgado neste sábado (12), o documento final do encontro, batizado de “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, também criticou barreiras alfandegárias unilaterais e endossou maior protagonismo brasileiro na segurança internacional.

Posicionamento diplomático sobre os conflitos

O texto oficial, que conta com 35 páginas e 140 parágrafos, aborda o cenário de instabilidade decorrente das hostilidades iniciadas no início de 2025, quando Estados Unidos e Israel desferiram ataques contra o território iraniano sob a justificativa de conter o desenvolvimento de artefatos nucleares — alegação veementemente rejeitada pelo governo do Irã. Em resposta, os iranianos alvejaram nações vizinhas e aliadas de Washington na região, a exemplo dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, que também compõem o bloco.

Apesar da gravidade da situação, a diplomacia do grupo optou por uma redação genérica no parágrafo 28, evitando menções nominais a governos específicos ou o uso explícito da palavra guerra. A estratégia visa garantir o consenso entre as nações aliadas. O encontro reuniu importantes chefes de Estado, como o premiê indiano Narendra Modi, além dos presidentes Xi Jinping, Vladimir Putin, Cyril Ramaphosa e Masoud Pezeshkian, enquanto o Brasil enviou o chanceler Mauro Vieira para representar o governo federal.

Demanda por reformas no Conselho de Segurança da ONU

Outro ponto de destaque no documento conjunto é a exigência de reestruturações profundas no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O bloco defende que o principal órgão global de manutenção da paz se torne mais representativo, transparente e eficiente, abrindo espaço para economias emergentes.

Embora a declaração não garanta formalmente um assento fixo ao país sul-americano, China e Rússia reafirmaram publicamente o respaldo histórico às pretensões de Brasília e Nova Delhi de conquistarem posições de maior destaque na estrutura decisória da instituição internacional.

Críticas ao protecionismo e comércio global

O bloco econômico — composto atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, representando expressivos 39% da economia mundial e quase metade da população do planeta — direcionou duras críticas às políticas de restrição comercial.

Sem citar nominalmente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, o texto condena a imposição de barreiras tarifárias que desrespeitam as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC). O avanço do protecionismo norte-americano tem afetado diretamente economias do bloco, com destaque para o Brasil, a China e a Índia.

Transações financeiras e combate à pobreza

No âmbito financeiro, o grupo sinalizou avanços na criação de mecanismos práticos para pagamentos transfronteiriços utilizando moedas locais, embora tenham descartado a criação de uma moeda única para concorrer diretamente com o dólar americano.

Por fim, a declaração abordou a urgência de erradicar a extrema pobreza, considerada o principal obstáculo para o desenvolvimento global, e registrou o apoio oficial às iniciativas lideradas pelo Brasil e pela África do Sul para a criação de um painel internacional voltado ao combate às desigualdades sociais.

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