Idosos podem doar órgãos em vida? Entenda critérios e regras

Ao contrário do que muitos imaginam, a idade avançada não é um fator impeditivo automático para quem deseja realizar uma doação de órgãos em vida. Desde que passe por uma triagem clínica detalhada e apresente bom estado de saúde, qualquer pessoa, inclusive da terceira idade, pode ajudar a salvar vidas por meio do procedimento cirúrgico.
Critérios médicos e regras legais para doar
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, indivíduos vivos podem doar um dos rins, parte do fígado, parte dos pulmões ou segmentos da medula óssea. Em qualquer uma das situações, a compatibilidade sanguínea entre quem doa e quem recebe é uma exigência indispensável.
No âmbito jurídico, a legislação nacional autoriza que a doação seja realizada entre parentes consanguíneos de até quarto grau e cônjuges sem necessidade de aval prévio da Justiça. No entanto, caso não haja essa relação familiar, o processo exige obrigatoriamente uma autorização judicial.
Como funciona a avaliação de doadores idosos
O nefrologista da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Geraldo Freitas, destaca que o protocolo de segurança é rigoroso para resguardar o bem-estar do doador altruísta. Quando o voluntário tem mais de 60 anos, a investigação clínica torna-se ainda mais criteriosa.
A checagem inclui exames laboratoriais de sangue e urina, aferição detalhada do sistema cardiovascular, diagnóstico por imagem e análise da função renal. Conforme esclarece o especialista, o envelhecimento natural costuma vir acompanhado de quadros crônicos como diabetes e hipertensão, condições que podem inviabilizar o procedimento. Se tais problemas não estiverem presentes e a capacidade funcional do órgão for adequada, a pessoa está liberada para o transplante.
Exemplo de superação: pai doou rim ao filho
A viabilidade da doação na terceira idade foi comprovada na prática pelo educador físico aposentado Arivaldo Sampaio. Em 2023, quando tinha 69 anos, ele acompanhou o drama do filho, que perdeu as funções do seu único rim após sessões frequentes de hemodiálise. Diante do quadro crítico, a família se submeteu a testes, e Arivaldo apresentou compatibilidade total.
Após uma bateria minuciosa de exames que atestou a sua plena saúde, o procedimento foi conduzido no HUB. O órgão transplantado respondeu prontamente no organismo do filho, garantindo a recuperação de ambos. Três anos depois, Arivaldo segue ativo, treinando musculação, corrida e alongamento cinco vezes por semana e mantendo acompanhamento periódico no hospital, reforçando a importância do autocuidado ao longo de toda a vida.
Fila de espera e cenário dos transplantes no Brasil
Ampliar as possibilidades de captação é vital para diminuir a espera por uma cirurgia. Em 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico com 4.335 doadores efetivos, índice que equivale a 20,3 doadores por milhão de habitantes. Apesar da marca expressiva, dados do Sistema Nacional de Transplantes mostram que aproximadamente 49,4 mil brasileiros permanecem inscritos na lista de espera, dependendo da solidariedade e da informação correta para ter uma nova oportunidade de vida.

