Rio de Janeiro entra em projeto global para corte de metano

A cidade do Rio de Janeiro foi integrada a uma iniciativa internacional de sustentabilidade ao se tornar uma das sete localidades do planeta selecionadas para o projeto-piloto Distritos Lixo Zero. A escolha ganha peso diante do cenário ambiental local: dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), elaborado pelo Observatório do Clima, apontam a capital fluminense como a maior emissora de gases do efeito estufa no setor de resíduos do Brasil.
Estratégia mundial para barrar o metano
O anúncio da inclusão do Rio ocorreu em Nova York durante a Semana do Clima das Nações Unidas. Desenvolvido pela Fundação Zero Desperdício com o suporte da rede internacional Global Methane Hub (GMH), o programa busca criar sistemas práticos de medição, governança e financiamento para a gestão do lixo, focando prioritariamente nos resíduos orgânicos.
Além da capital carioca, integram a rede piloto as cidades de George Town, Penang e Kuala Lumpur (Malásia); Santiago e Patagônia (Chile); e Kisumu (Quênia). As metas estabelecidas pela iniciativa são ambiciosas: desviar dos aterros sanitários no mínimo 70% de todo o lixo até 2030 e alcançar a marca de 90% até 2040.
De acordo com o diretor executivo do GMH, Marcelo Mena, a proposta alia a mitigação climática ao desenvolvimento urbano sustentável. Segundo o especialista, o programa oferece uma rota concreta para melhorar a saúde coletiva por meio da diminuição de poluentes, enquanto gera postos de trabalho e reintroduz recursos úteis na cadeia econômica.
O modelo em operação no Rio de Janeiro
O município fluminense já possui iniciativas práticas em andamento que servem de laboratório para a transição energética e o reaproveitamento de resíduos. Desde 2023, o Centro de Tratamento de Resíduos da Comlurb (CTR-Rio), localizado em Seropédica, conta com monitoramento mensal de plumas de gás metano via satélite.
Essa tecnologia permitiu mapear pontos críticos para intervenção no aterro sanitário. Em parceria com o Global Methane Hub, a Comlurb incorporou praticamente 500 poços ao sistema de captação de biogás ao longo de 2025. O resultado foi um incremento de 7,35% no aproveitamento energético do metano quando comparado aos índices registrados em 2024.
Para o diretor regional do GMH na América Latina, Henrique Bezerra, a estrutura do CTR-Rio representa um padrão viável que pode ser replicado em aterros ao redor do mundo para promover comunidades mais resilientes.
Foco nas metas das conferências do clima
A meta dos idealizadores é avaliar e consolidar as soluções desenvolvidas pelos bairros envolvidos antes da realização da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP31), programada para novembro na cidade de Antalya, na Turquia. O objetivo final é disseminar esses processos para bairros de outras partes do planeta.
Segundo o secretário nacional de Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Adalberto Maluf, a inclusão do Rio fortalece as metas ambientais do país, ligando a agenda da COP30 às diretrizes da COP31. Maluf reforçou que o combate ao desperdício de alimentos é a frente mais estratégica dessa cadeia, pois além de conter a geração de gases poluentes pela decomposição, impulsiona a economia circular e reforça a segurança alimentar da população.

