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Controle biológico reduz avanço do pulgão-do-sorgo em MG

6 de outubro, 2026

O equilíbrio ecológico e a manutenção de predadores naturais provaram ser armas eficientes contra o pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi) no campo. Um estudo realizado em plantações de sorgo forrageiro em Minas Gerais constatou que áreas cultivadas sem a pulverização de defensivos químicos mantiveram populações expressivas de moscas-sirfídeo, insetos que atuam diretamente na contenção biológica da praga.

Predadores naturais e o equilíbrio no campo

Conduzido ao longo de duas safras por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo em parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o trabalho comparou talhões com e sem defensivos agrícolas por meio de análises semanais. A constatação foi clara: a presença de inimigos naturais, associada ao clima, desempenha papel determinante na regulação das pragas sob as diretrizes do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Durante a fase vegetativa da cultura, período de pico de infestação do Melanaphis sorghi, destacou-se a atuação das larvas da família Syrphidae — conhecidas como moscas-sirfídeo ou moscas-das-flores —, além de joaninhas (família Coccinellidae). Ambas as espécies predam ativamente os pulgões e proliferaram nos locais livres de defensivos não seletivos, garantindo que o dano econômico ficasse abaixo dos níveis críticos.

De acordo com a pesquisadora Simone Mendes, da Embrapa Milho e Sorgo, compreender a dinâmica entre pragas, clima e predadores sustenta escolhas sustentáveis. Quando houver real necessidade de intervenção química, a recomendação é priorizar formulações seletivas, preservando os organismos benéficos já adaptados ao ecossistema.

Impactos climáticos e riscos da praga para a silagem

Outro agente de contenção verificado pela equipe foi o regime pluviométrico. A pesquisadora ressalta que parâmetros como temperatura, umidade e, principalmente, o volume de precipitação provocam mortalidade natural na colônia de pulgões. Por outro lado, na segunda safra analisada, marcada por chuvas intensas, observou-se também o surgimento do pulgão-do-milho (Rhophalosiphum maidis), além de registros pontuais da lagarta-do-cartucho e da broca-da-cana.

A atenção ao pulgão-do-sorgo precisa ser redobrada porque o inseto habita a face inferior e os extratos mais baixos da folhagem, o que camufla o início do ataque. Em altas densidades, ele secreta uma substância açucarada (melada) que serve de substrato para o fungo fumagina. A proliferação dessa crosta escura bloqueia a fotossíntese foliar, derrubando a qualidade da biomassa destinada à alimentação animal.

O doutorando da UFSJ Guilherme Avellar reforça que o sorgo forrageiro é amplamente valorizado na pecuária pela elevada produção de massa verde, densidade energética e rusticidade diante do estresse hídrico e de altas temperaturas, superando o milho em tolerância à seca. Proteger essas características contra a fumagina é vital para a rentabilidade da produção de silagem.

Atenção aos reservatórios na entressafra

Além da vistoria rigorosa e precoce dos talhões, os especialistas alertam para os riscos fora do ciclo produtivo. Levantamentos recentes descartam milho e milheto como plantas hospedeiras de destaque para a espécie. No entanto, o capim-massambará, conhecido como sorgo selvagem, desponta como um perigoso abrigo da praga durante a entressafra, segundo aponta o doutorando Douglas Santos, da UFSJ.

Dessa forma, o sucesso produtivo do sorgo forrageiro depende de uma abordagem abrangente, combinando a eliminação de reservatórios vegetais na entressafra, monitoramento visual minucioso, acompanhamento das chuvas e conservação rigorosa dos agentes de controle biológico.