Ibovespa sobe aos 209 mil pontos com apoio externo e IPCA

O mercado acionário brasileiro opera em ritmo acelerado de ganhos nesta sexta-feira (9), acompanhando o bom humor registrado nos mercados globais e digerindo dados cruciais da economia doméstica. O Ibovespa avançava 1,46% às 11h33, alcançando a máxima do dia aos 209.238,68 pontos, após ter tocado a mínima de 206.237,55 pontos pela manhã. No pregão anterior, o índice já havia encerrado com valorização de 0,94%, cotado a 206.220,24 pontos.
Otimismo em Nova York e alívio nas commodities
A recuperação das praças internacionais fornece tração relevante para a bolsa local. Em Wall Street, o tom positivo reflete diretamente o recuo nas cotações internacionais do petróleo, após a commodity ter registrado um salto próximo de 4% no dia anterior. Esse arrefecimento reduz os temores de persistência da inflação global e de um aperto monetário prolongado na economia dos Estados Unidos. Os investidores externos também mantêm a atenção voltada para os dados preliminares da Universidade de Michigan a respeito da confiança dos consumidores e das expectativas inflacionárias.
Refletindo o bom momento lá fora, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, registrava alta de 1,50% durante a manhã.
Inflação acima da meta divide apostas sobre os juros
No front interno, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a setembro concentrou as atenções. O indicador apontou alta de 0,82%, situando-se próximo da margem máxima projetada pelo mercado, de 0,83%. Com o resultado, o acumulado em 12 meses atingiu 4,58%, superando o limite superior da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. Além disso, o índice de difusão calculado por Homero Guizzo, da Terra Investimentos, avançou para 54,9% em setembro, frente aos 54,4% apurados em agosto.
A repercussão dos números dividiu a percepção de especialistas sobre os próximos passos da taxa básica de juros:
Para o estrategista da Bravonte Capital e professor da FGV, Eduardo Velho, os preços dos ativos já absorviam parte dessa aceleração, o que preserva a tese de futuros cortes na Selic. Em contrapartida, João Debom, sócio da Supernova Investimentos, argumenta que o número pressionado enfraquece as expectativas de afrouxamento monetário em novembro, deslocando as projeções de um corte de 0,25 ponto percentual em direção a uma estabilidade nas taxas.
Pesquisas eleitorais e movimento das ações na B3
Além da inflação, o ambiente político exerceu peso nos negócios a partir da publicação dos novos levantamentos dos institutos Datafolha e Atlas/Bloomberg. Segundo Velho, as sondagens eleitorais reforçam um quadro favorável ao real, com potencial de estimular a entrada de fluxo estrangeiro tanto para o mercado cambial quanto para as ações. Os agentes financeiros também acompanharam declarações do Ministério da Fazenda sobre o setor de combustíveis.
No quadro corporativo, as ações da Petrobras sustentaram ganhos firmes a despeito da desvalorização do petróleo. O setor bancário e papéis atrelados à atividade econômica doméstica também exibiram trajetórias positivas. A exceção entre as principais blue chips foi a Vale, que caiu 0,25%, pressionada pela desvalorização do minério de ferro nos mercados asiáticos, onde a matéria-prima recuou 1,16% em Dalian e 0,44% em Singapura.
A confluência entre a recuperação das bolsas ocidentais, a acomodação dos dados do IPCA e o direcionamento das pesquisas eleitorais assegura uma sessão amplamente positiva para os ativos brasileiros, consolidando o índice acima dos 209 mil pontos.

