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Pesquisa revela que 82% dos brasileiros reprovam uso de celular por menores de três anos

10 de outubro, 2026

Um levantamento recente conduzido pelo Instituto Locomotiva revelou que a grande maioria dos adultos no país, cerca de 82%, é totalmente contrária à exposição de crianças de até três anos a telefones celulares. Apenas 15% apoiam essa prática na primeira infância.

Rejeição às telas por faixa etária

A oposição ao uso de dispositivos móveis diminui conforme a idade avança, mas ainda permanece alta. Entre os entrevistados, 75% reprovam o uso de aparelhos por crianças na faixa dos quatro aos sete anos. No entanto, quando se trata de possuir um dispositivo próprio, o cenário muda: 52% concordam que menores ganhem um celular individual até os 12 anos de idade.

O estudo foi realizado com 1.367 pessoas maiores de 18 anos, ouvidas entre o final de setembro e o início de outubro, ganhando repercussão justamente no período que antecede o Dia das Crianças.

Orientações oficiais e panorama do IBGE

O debate sobre a infância conectada encontra respaldo em diretrizes governamentais. O Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais, lançado pelo governo federal, estipula que menores de dois anos não devem ter contato com telas, abrindo exceção apenas para videochamadas com parentes.

Em paralelo, dados divulgados neste ano pelo IBGE indicam uma retração na proporção de meninos e meninas entre 10 e 13 anos que possuem um telefone particular.

A percepção sobre as ruas e o ECA digital

Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, a aceitação do uso de celulares dispara para 88%. Contudo, há um forte sentimento de nostalgia e preocupação: 83% dos adultos acreditam que os pequenos atuais abandonaram as ruas, preferindo o entretenimento digital, enquanto 73% defendem que as brincadeiras ao ar livre são muito mais saudáveis.

Para frear os riscos associados à exposição precoce e garantir maior segurança online, o ECA Digital entrou em vigor estabelecendo novas diretrizes. Entre as principais exigências está a obrigatoriedade de vinculação da conta de menores de 16 anos à de um responsável legal nas redes sociais.

Concepções sobre gênero e brincadeiras

O levantamento também explorou conceitos culturais e comportamentais, apontando que 63% dos brasileiros defendem que as brincadeiras não deveriam ser rotuladas por gênero. Segundo Renato Meirelles, presidente do instituto, o dado reflete um avanço no pensamento social, embora barreiras culturais ainda precisem ser superadas.

Apesar da abertura teórica, o preconceito ainda se manifesta no cotidiano: 36% da população reprovam que meninos brinquem de boneca ou meninas utilizem carrinhos. A resistência é mais acentuada entre o público masculino, alcançando 46%, enquanto entre as mulheres o índice cai para 27%.