Crise no agro brasileiro eleva risco de venda de terras e máquinas

O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de forte pressão financeira, impulsionado pelo avanço das dívidas, taxas de juros elevadas e barreiras para obtenção de crédito. Diante desse cenário adverso, muitos agricultores e pecuaristas começam a avaliar a alienação de fazendas e equipamentos como estratégia para reorganizar as contas.
O impacto da alta de preços e juros na produção
Segundo o advogado Lando Boso, o endividamento é uma questão generalizada no país atualmente, e o setor produtivo não está imune a essa realidade. No entanto, o especialista alerta que se desfazer de bens essenciais pode não representar a saída ideal, já que essa atitude compromete diretamente a futura capacidade produtiva da propriedade.
Além de perder o fôlego para produzir, quem decide vender ativos no atual momento costuma enfrentar preços abaixo do mercado. Isso acontece porque há uma alta oferta de terras e máquinas à disposição, enquanto a demanda por compras diminui, resultando em negociações desfavoráveis que muitas vezes nem chegam a sanar o passivo acumulado.
Caminhos alternativos para evitar a perda de patrimônio
Antes de recorrer à venda definitiva de bens, os produtores devem explorar outras possibilidades de reestruturação financeira. Uma das recomendações é buscar o alongamento das dívidas com base nas diretrizes do manual de crédito rural, o que traz um fôlego temporário importante para o fluxo de caixa.
Outra alternativa viável consiste em abrir negociações diretas com as instituições financeiras, fundamentando os pedidos em quebras de safra ou intempéries climáticas que tenham prejudicado os resultados da lavoura. Operações de crédito que não coloquem em risco o parque de máquinas ou a área cultivável também devem ser priorizadas.
Para atravessar o momento de instabilidade econômica, os profissionais do campo precisam assumir de vez o papel de gestores financeiros. Compreender profundamente o cenário macroeconômico e o impacto real dos juros é um passo decisivo para evitar decisões precipitadas que comprometam a viabilidade do negócio a longo prazo.

