Safra de Milho 2026/27 em Mato Grosso: Imea projeta queda de 7,5% na produção apesar de leve alta na área plantada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projetou para a safra 2026/27 uma produção de 53,68 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso, o que representa uma retração de 7,5% em comparação ao ciclo anterior. Embora a área cultivada deva crescer 0,59%, alcançando 7,48 milhões de hectares, a queda na produtividade estimada — reflexo de possíveis impactos do El Niño na distribuição das chuvas e de gargalos na janela de semeadura da soja — pressiona o rendimento médio do cereal no estado.
A agropecuária mato-grossense enfrentará novos desafios no ciclo 2026/27. De acordo com o levantamento de outubro divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produção estadual de milho está estimada em 53,68 milhões de toneladas.
Apesar de uma expansão tímida na área cultivada, que deve atingir 7,48 milhões de hectares (alta de 0,59% frente à safra 2025/26), o volume colhido deverá recuar 7,5%, evidenciando que a retração produtiva está diretamente atrelada à perda de rendimento nas lavouras.
Os Indicadores Principais da Safra de Milho 2026/27
A tabela abaixo sintetiza as projeções do Imea para o cereal em Mato Grosso:
| Indicador Agrícola | Projeção Atual (Safra 2026/27) | Comparativo com o Ciclo Anterior |
| Produção Total | 53,68 milhões de toneladas | Queda de 7,5% |
| Área Cultivada | 7,48 milhões de hectares | Crescimento de 0,59% |
| Produtividade Média | 119,64 sacas por hectare | Queda de 8,05% |
| Fatores de Risco | Efeitos do El Niño e ritmo da colheita/plantio da soja | Condicionantes climáticos e janela de plantio |
Fatores Climáticos e o Impacto do El Niño
A projeção mais conservadora elaborada pelo Imea leva em consideração os riscos associados ao fenômeno climático El Niño. Para os analistas do instituto, mais do que o volume absoluto de chuvas, o fator determinante para o desempenho das lavouras será a regularidade na distribuição precipitações ao longo do ciclo de desenvolvimento das plantas.
A Conexão com o Calendário da Soja
Como grande parte do milho em Mato Grosso é cultivada no modelo de segunda safra — isto é, semeada imediatamente após a colheita da soja —, qualquer atraso na implantação da oleaginosa gera um efeito cascata.
Caso o plantio da soja enfrente retenções iniciais, o período ideal para a semeadura do milho pode ser comprimido, deixando as lavouras mais vulneráveis aos riscos climáticos no final do ciclo produtivo. No entanto, o Imea aponta que uma eventual normalização das chuvas ao longo de outubro poderá garantir a capacidade operacional necessária para acelerar o plantio da soja e recuperar o cronograma, assegurando que uma parcela expressiva do milho seja estabelecida dentro da janela ideal.

