Imprensa independente se une em defesa da democracia no Brasil

Em um movimento inédito de união editorial, um grupo formado por 55 veículos de jornalismo independente divulgou um manifesto público voltado a resguardar a ordem constitucional, o livre exercício da comunicação e o combate a tendências autoritárias no cenário político nacional.
O papel do jornalismo e os riscos ao direito à informação
O documento enfatiza que a sociedade civil depende de um fluxo de notícias confiáveis, transparentes e plurais para exercer plenamente a sua cidadania. Na visão das organizações signatárias, o trabalho investigativo é peça indispensável para fiscalizar quem exerce o poder, denunciar eventuais casos de corrupção, frear violações de garantias básicas e dar visibilidade a grupos historicamente marginalizados.
De acordo com os veículos, qualquer investida que tente calar ou desqualificar os profissionais da comunicação abala diretamente a capacidade da população de exigir a prestação de contas dos governantes, fragilizando os pilares democráticos indispensáveis para o equilíbrio institucional do país.
Histórico de hostilidades e dados de violência contra repórteres
Ao abordar os riscos aos quais os comunicadores estão expostos, o editorial relembrou os números expressivos de intimidação registrados nos últimos anos. Estatísticas reunidas pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) apontam que, no período de 2019 a 2022, ocorreram 1.442 episódios de violência e ataques diretos à imprensa, montante correspondente a uma média anual três vezes maior do que a verificada entre os anos de 2010 e 2018.
Outro levantamento citado, conduzido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), identificou 557 ocorrências de agressão à liberdade de trabalho em 2022. Desse total, 41,6% dos incidentes envolveram diretamente ao menos um membro da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro e posicionamento da campanha
O manifesto também direciona alertas em relação aos planos do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Os veículos chamam a atenção para as propostas que buscam reformar dispositivos da Constituição e rever condenações impostas ao seu pai, sentenciado por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito.
O texto adverte que posturas menos inflamadas no discurso público não amenizam a seriedade das medidas pretendidas por seu grupo político, o qual possui um histórico de contestações à legitimidade do processo eleitoral e de confrontação com os órgãos fiscalizadores.
Diante das manifestações, a assessoria de campanha do postulante ao Planalto foi procurada, mas não enviou resposta. Em declarações anteriores durante agenda pública no Rio de Janeiro, o candidato afirmou que sustentará a plena liberdade de expressão se chegar ao Executivo, defendendo que todos os cidadãos e a mídia têm legitimidade para criticar gestões públicas. Paralelamente, seus advogados acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de retirar do ar 221 publicações de adversários, entidades sindicais, comunicadores e artistas, sustentando que os conteúdos veiculavam desinformação prejudicial à sua disputa.

