Safra de grãos deve bater recorde de 354,5 milhões de toneladas

O campo brasileiro caminha para um novo patamar histórico de produtividade. Estimativas para 2026 apontam que a produção nacional de grãos deve alcançar a marca inédita de 354,5 milhões de toneladas. O volume representa uma expansão de 2,4% em comparação ao colhido em 2025, quando o país registrou 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas.
Soja e milho lideram o crescimento do agronegócio
O bom desempenho é sustentado principalmente pelo peso das principais commodities agrícolas. O trio formado por soja, milho e arroz concentra 93% de todo o volume produzido no país e ocupa 87,3% da área destinada ao cultivo de grãos.
A soja desponta como o grande motor dessa expansão, com perspectiva de atingir 175 milhões de toneladas colhidas, o que significa uma elevação de 5,4% sobre o ano anterior, acompanhada por um avanço de 1,3% na área plantada.
Já a cultura do milho deve somar 143,3 milhões de toneladas, alta de 1,1% (ou 1,6 milhão de toneladas a mais que em 2025). O ciclo apresenta comportamentos distintos entre as etapas de plantio:
- Primeira safra de milho: previsão de 29,7 milhões de toneladas, salto expressivo de 15,5%, impulsionado pelo aumento de 8% na área colhida.
- Segunda safra de milho: retração de 2,0%, estimada em 113,6 milhões de toneladas, mesmo com uma leve ampliação de 1,1% no território cultivado.
Área colhida atinge marca recorde de 83,2 milhões de hectares
Para viabilizar esse volume, a área total a ser colhida no Brasil foi projetada em 83,2 milhões de hectares, um incremento de 2% (1,6 milhão de hectares adicionais) frente a 2025. Na análise mensal comparativa com agosto de 2026, o cenário demonstrou estabilidade, com acréscimo de 0,4% na colheita (1.566.233 toneladas a mais) e variação positiva de 0,2% no território cultivado.
Quedas expressivas em culturas de inverno e consumo básico
Apesar do balanço geral positivo, alguns alimentos essenciais e culturas tradicionais enfrentam projeções de retração para o ciclo de 2026:
- Arroz em casca: retração de 11,4%, com estimativa de 11,2 milhões de toneladas, reflexo direto do encolhimento de 12,6% na área dedicada ao grão.
- Trigo: forte recuo de 24%, caindo para 5,9 milhões de toneladas.
- Feijão: projeção de queda de 6,6% no volume colhido.
- Algodão herbáceo em caroço: diminuição de 3,9%, totalizando 9,5 milhões de toneladas.
- Sorgo: na contramão das perdas, o grão registrou alta prevista de 11%, devendo atingir 6 milhões de toneladas.
Os números refletem o dinamismo do agronegócio nacional que, mesmo diante da volatilidade climática e dos ajustes de mercado em culturas específicas, mantém a tendência de expansão impulsionada pela alta produtividade das lavouras de exportação.

