Brasil registra uma morte por doença cardiovascular a cada 72 segundos

O Brasil registra uma morte por doença cardiovascular a cada 72 segundos, conforme apontam estatísticas recentes que revelam o impacto severo dessas condições na população. Até 16 de outubro, o somatório de óbitos no país em 2026 alcançou 318.945 registros, o que representa uma média diária de 1.194 falecimentos ou cerca de 50 ocorrências a cada hora.
Monitoramento integrado em saúde
Os números fazem parte do Cardiômetro, instrumento de contagem que agora integra um novo hub de doenças cardiovasculares. A ferramenta digital resulta de uma parceria estratégica entre a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a World Heart Federation, tendo sido apresentada durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia e o Congresso Mundial de Cardiologia, realizados no Rio de Janeiro.
O sistema consolida estatísticas de mortalidade fornecidas pelo Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade, além de incorporar projeções epidemiológicas globais e estimativas populacionais do IBGE e do DataSUS.
Projeções e cenários futuros
As análises disponíveis na plataforma abrangem séries históricas de 2000 a 2024 e traçam projeções para o final da década. Caso o comportamento estatístico das últimas duas décadas permaneça inalterado, o país poderá enfrentar um acréscimo de 10,8% nos óbitos de origem cardíaca até 2030, saltando de 417.550 em 2024 para 462.573 registros anuais.
O coordenador da plataforma, o cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, esclarece que o panorama projetado aponta tendências prováveis, mas não representa um destino incontestável. Modificações na prevalência de fatores de risco, melhorias no acesso a diagnósticos e tratamentos, bem como novas diretrizes de políticas públicas de prevenção, têm o potencial de alterar essa curva.
Fatores de risco e disparidades regionais
Especialistas reforçam a relevância de ações voltadas para o controle da hipertensão e do diabetes, a diminuição do tabagismo, o combate ao sedentarismo e à obesidade, além da agilidade no atendimento de urgência para infartos e AVCs.
Apesar dos desafios futuros, o histórico de 20 anos demonstra avanços: a taxa de mortalidade caiu de 306,4 para 195 óbitos por 100 mil habitantes entre 2000 e 2024, queda de 36%. Contudo, o cenário varia entre as regiões. Alagoas lidera o índice nacional com 245,5 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Amapá (225,1) e Mato Grosso do Sul (220,4).
Com acesso facilitado a dados por estado, sexo, faixa etária e comparações internacionais, a nova ferramenta digital visa apoiar médicos, gestores públicos, pesquisadores e comunicadores na formulação de estratégias baseadas em evidências científicas.

