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Rio cria reserva marinha de 3 mil hectares na zona oeste

18 de outubro, 2026

A costa da zona oeste da capital fluminense conta agora com um novo santuário ecológico: a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Estadual Marinha Urupirá. Abrangendo uma extensão de 3 mil hectares — delimitada entre a ilhota do Frade, no bairro de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio —, a unidade foi estabelecida com o objetivo de resguardar ecossistemas costeiros sem abrir mão do fomento ao turismo responsável e da continuidade da pesca tradicional.

Equilíbrio entre conservação e comunidade pesqueira

O formato de Reserva de Desenvolvimento Sustentável foi adotado para assegurar que a proteção da natureza caminhe lado a lado com os trabalhadores locais. As comunidades pesqueiras terão papel ativo na administração do território, que contará com fiscalização ampliada, iniciativas de educação ambiental, incentivo ao ecoturismo organizado e monitoramento contínuo dos ecossistemas aquáticos.

De acordo com o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, a criação da área protegida insere o estado no compromisso com as metas 30×30 da Convenção para Proteção da Biodiversidade, pacto internacional que visa proteger 30% da superfície marinha, continental e das águas interiores do planeta até 2030.

Biodiversidade submarina e relevância para a pesca

Estudos desenvolvidos pela organização socioambiental Ilhas do Rio revelaram a exuberância da vida marinha na faixa litorânea da nova reserva. Levantamentos técnicos catalogaram 102 espécies de peixes vivendo em recifes locais, incluindo três exclusivas do Brasil. Entre essas variedades, 39 possuem alto interesse comercial para os pescadores da região, destacando-se:

  • Garoupas e corvinas;
  • Robalos e xaréus;
  • Sargos.

A pesquisa também contabilizou 143 variedades de organismos de fundo (bentônicos), a exemplo de lagostas e polvos de relevante valor comercial. A gerente de pesquisas da organização, Aline Aguiar, ressaltou que ilhas, costões e trechos de águas rasas atuam como berçários indispensáveis para a reprodução dessas espécies, sustentando de forma direta as famílias que vivem da atividade pesqueira artesanal.

Refúgio para animais ameaçados de extinção

Além de alimentar a economia local, o novo perímetro marítimo funciona como refúgio para espécies criticamente ameaçadas. As águas e formações rochosas de Urupirá servem de abrigo para a baleia-jubarte, tartarugas-marinhas, o ouriço-lilás, a estrela-do-mar Astropecten brasiliensis, o coral-cérebro e diversas aves costeiras.

O batismo da unidade como Urupirá resgata as raízes históricas e a identidade tradicional do litoral carioca, consolidando um marco regulatório que protege a herança cultural dos antigos mestres da pesca e resguarda o patrimônio ambiental do estado.