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UNE mobiliza estudantes pelo país às vésperas do segundo turno

18 de outubro, 2026

O cenário político nacional e a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais reacenderam a atuação do movimento estudantil nas ruas brasileiras. Com atos convocados em várias capitais e cidades universitárias, secundaristas e acadêmicos têm se reunido para manifestar apoio à democracia e cobrar investimentos substanciais na educação pública.

Mobilização nas ruas e paralelos históricos

As passeatas ganharam força logo após o resultado do primeiro turno. Uma assembleia inicial de alunos na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, extrapolou as dependências do campus e arrastou milhares para as vias públicas. O movimento rapidamente se alastrou para outras regiões, incluindo um grande protesto no centro do Rio de Janeiro — articulado a partir de estudantes do Colégio Pedro II — e atos em Brasília.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, compara a energia das marchas recentes a momentos históricos da militância jovem no Brasil, como a Passeata dos 100 mil em 1968 e as Diretas Já. A entidade se posicionou formalmente a favor da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, justificando a escolha como uma barreira necessária contra o avanço de ideais autoritários.

Recentemente, a campanha adversária tentou barrar o ativismo digital das lideranças. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido apresentado pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) que visava suspender publicações de 54 dirigentes sindicais e de movimentos sociais, inclusive integrantes da UNE.

Contraponto de propostas para o ensino superior

O foco das críticas dos manifestantes reside nas diretrizes apresentadas pela candidatura de Flávio Bolsonaro. Entre as medidas que geram maior apreensão no meio acadêmico está a intenção de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), sob a justificativa de alinhar a produção científica ao setor produtivo.

O plano do candidato do PL também contempla o fortalecimento de escolas cívico-militares, a reestruturação da formação técnica e a garantia do cumprimento do piso constitucional voltado à pasta educacional. Para os representantes estudantis, contudo, a mudança de tutela ministerial ameaça descaracterizar a autonomia das instituições e submeter o ambiente universitário aos interesses exclusivos do mercado.

Demandas urgentes e permanência na universidade

Além da disputa eleitoral imediata, a pauta dos atos contempla reivindicações estruturais acumuladas ao longo da última década. As principais exigências concentram-se no combate ao subfinanciamento das instituições públicas e na melhoria das políticas de auxílio para os alunos mais vulneráveis.

Prioridades levantadas pelas entidades:

Entre as reivindicações centrais do movimento estão a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) com verba garantida, a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública e a aprovação de repasses da União para universidades estaduais. Os manifestantes também defendem pautas trabalhistas de apelo popular, como a extinção da escala de trabalho 6×1 e a continuidade de programas assistenciais a exemplo do Pé-de-Meia.

Trajetória de liderança

À frente da entidade no biênio 2025–2027, Bianca Borges possui 25 anos, cursa Letras no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e graduou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Com histórico de atuação desde os grêmios de escolas técnicas em Praia Grande (SP), ela já presidiu a União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e liderou o Diretório Central dos Estudantes da USP.

A direção da UNE ressalta que o engajamento social precisará continuar ativo após a definição das urnas, independentemente do vencedor, assegurando que as bandeiras da juventude trabalhadora e da comunidade acadêmica permaneçam no centro das decisões de Estado.