Árvore nativa supera eucalipto e melhora saúde do solo em pastagens, aponta estudo

A integração da árvore nativa bordão-de-velho (Samanea tubulosa) em pastagens traz ganhos expressivos para a fertilidade e a qualidade biológica da terra, segundo um estudo recente conduzido no Brasil.
Vantagens para a pecuária sustentável
O trabalho demonstrou que a espécie eleva a quantidade de matéria orgânica, reduz a acidez e estabiliza comunidades de microrganismos essenciais. O vegetal já era reconhecido por oferecer sombra ao gado, produzir frutos nutritivos para os animais e fixar nitrogênio na terra, consolidando-se como uma excelente alternativa para sistemas silvipastoris.
Análise na Amazônia
Desenvolvida como tese de doutorado na Embrapa Florestas em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (USP/Cena), a pesquisa teve início em 2018 em Rondônia. Uma área de 14 hectares foi dividida para comparar o desempenho de 156 mudas de bordão-de-velho com o de 172 mudas de eucalipto.
Ambas as árvores mantiveram estoques sólidos de carbono, mas a leguminosa nativa se destacou pela ampla área de influência sobre a microbiota do solo, alcançando até cinco metros de distância da planta e atingindo maiores profundidades com microrganismos benéficos ligados à ciclagem de nutrientes.
Alto índice de manejo de carbono
Nos testes, o arranjo produtivo com a espécie nativa atingiu um Índice de Manejo de Carbono de 91,13, indicando alta preservação da matéria orgânica se comparada a áreas de floresta nativa. Os cientistas destacam que os resultados reforçam o grande potencial da biodiversidade brasileira para impulsionar a sustentabilidade na pecuária tropical.

