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Idosos lideram mobilização contra abstenção nas eleições

21 de outubro, 2026

Mesmo desobrigados por lei a comparecer às urnas, os eleitores brasileiros com mais de 70 anos registraram uma queda expressiva nos índices de ausência eleitoral. Impulsionados por iniciativas da sociedade civil e pelo desejo de garantir direitos sociais, milhares de idosos promovem uma mobilização ativa de conscientização para ampliar a participação popular no segundo turno.

Queda expressiva na abstenção e mobilização cívica

O contingente de eleitores idosos no Brasil ultrapassa 16 milhões de cidadãos, o que equivale a 10,6% de todo o eleitorado nacional. Embora o voto seja facultativo para essa faixa etária desde a Constituição de 1988 — resultando historicamente em índices elevados de abstenção —, o cenário recente revelou uma mudança de comportamento.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisados pelo Movimento Voto 70+ apontam que a abstenção nesse segmento recuou de 58,8% nas eleições de 2022 para 49,1% no primeiro turno deste pleito, uma redução de quase 10 pontos percentuais. Para consolidar essa tendência, a campanha apartidária Vovó Vota estimula o diálogo intergeracional, aproximando netas e avós. A iniciativa reforça que quem não compareceu à votação no primeiro turno pode participar normalmente da segunda etapa.

Laços familiares impulsionam retorno às urnas

Em Orizona, no interior de Goiás, Maria Albino Costa, de 85 anos, decidiu retornar às seções eleitorais após se ausentar na primeira etapa por receio da grande quantidade de candidatos. Ex-merendeira e trabalhadora rural, ela faz questão de comparecer ao segundo turno acompanhada da filha e da neta. Mãe de sete filhos, com 22 netos, seis bisnetos e um tataraneto, Maria quer dar o exemplo após ter vivido o período da ditadura militar (1964-1985), quando não pôde votar. Sua filha, a professora Sandra Oliveira, de 48 anos, foi a primeira da família com diploma universitário e relata que usa a história materna para combater pensamentos retrógrados em sala de aula.

Em Olinda (PE), a professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, superou o receio gerado pela polarização e pela tensão política para voltar às urnas após 12 anos de ausência. Com o apoio dos filhos e da neta Maria, de 19 anos, ela instalou o aplicativo e-Título em seu celular para exercer o sufrágio e retomar o hábito de guardar os comprovantes de votação.

Liderança comunitária e busca ativa no campo

A determinação também se reflete no cotidiano do interior do Maranhão. No povoado rural de Ludovico, em Lago do Junco, a trabalhadora Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, caminha não apenas para registrar seu próprio voto, mas também para conscientizar mulheres em outras cinco comunidades vizinhas: São José, Mata dos Reis, Marajá Alto Alegre, Estirão e Pau Seco.

Integrando a liderança das quebradeiras de coco babaçu — grupo com mais de 300 mil trabalhadoras distribuídas por Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins —, Maria Alaídes destaca a urgência de cobrar políticas públicas contra as mudanças climáticas, que afetam a subsistência de sua categoria. Já em Nova Iorque (MA), Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, recorda que a cidadania foi o instrumento para garantir que seus dez filhos estudassem, motivando sua ida às urnas para defender a assistência a idosos e crianças.

Acessibilidade e a memória democrática

Para assegurar que essa população exerça a cidadania plenamente, normas do TSE determinam atendimento prioritário irrestrito e acessibilidade nas seções. No primeiro turno, a carioca Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, e a paulistana Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, enfrentaram obstáculos como filas demoradas e escadarias até as cabines, desafios que reforçam a necessidade de estrutura adequada nos locais de votação.

A motivação de grande parte desses eleitores está enraizada na valorização das conquistas democráticas. Aposentadas como a carioca Suely Mendonça, de 79 anos, relembram a censura cultural e política vivida na juventude e a histórica campanha das Diretas Já, ressaltando que cada voto representa a defesa permanente da liberdade e dos serviços públicos essenciais.