quarta-feira, 04 de novembro de 2026 Informação com credibilidade
PORTAL V7
Notícias de Sinop, Mato Grosso e Brasil
Publicidade
ÚLTIMA HORA
Agronotícias

Brasil atinge menor nível de emissões líquidas de CO2 desde 2012

21 de outubro, 2026

As emissões líquidas de gases de efeito estufa no Brasil atingiram em 2025 a marca de 1,41 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e). O índice representa uma retração de 9% em comparação ao ano anterior e consolida o volume mais baixo registrado no país desde 2012. Já no cômputo das emissões brutas — que desconsidera a absorção promovida por unidades de conservação e pela regeneração florestal —, o total foi de 2,06 bilhões de toneladas, apontando recuo de 6% e o índice mais brando desde 2018.

Redução do desmatamento puxa o recuo histórico

O principal catalisador desse resultado positivo foi a diminuição do desmatamento. As emissões brutas decorrentes de mudanças no uso da terra caíram 15%, passando de 957 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e) em 2024 para 814 MtCO2e em 2025. Esse segmento concentrou 39% do volume bruto emitido pelo país.

No cálculo líquido da categoria, o declínio foi ainda mais acentuado: despencou 48%, encolhendo de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e. O patamar é o menor de toda a série histórica do levantamento anual coordenado pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima. Nos últimos quatro anos, a redução acumulada das emissões brutas brasileiras alcançou cerca de 25%.

Radiografia das emissões por atividade econômica

Enquanto a alteração da cobertura vegetal teve queda expressiva, as demais áreas produtivas mostraram pouca oscilação ao longo do ano:

  • Agropecuária: registrou estabilidade com leve queda de 0,1%, somando 626 MtCO2e em emissões diretas (30% do total bruto). Quando somadas as influências diretas e indiretas da atividade, o setor mantém a liderança entre as fontes poluidoras no país.
  • Energia: teve alta de 1,2%, avançando de 422 MtCO2e para 427 MtCO2e e respondendo por 21% do inventário bruto nacional.
  • Resíduos: cresceu 3,6%, oscilando de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e (5% das emissões).
  • Processos industriais: apontou ligeira alta de 0,2%, totalizando 94 MtCO2e (5% de participação).

Desafio em relação às metas climáticas internacionais

Apesar da desaceleração geral, o volume líquido apurado manteve o Brasil 85 milhões de toneladas acima do limite estipulado pela meta climática de 2025, fixada na primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que previa um teto de 1,32 GtCO2e.

Para o horizonte de 2030, o compromisso brasileiro estabelecido na segunda versão da NDC projeta que as emissões anuais deverão se situar entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente, exigindo a continuidade das medidas de combate a ilícitos ambientais e a descarbonização dos demais setores da economia.