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Ação em SP ajuda refugiados a conseguir emprego e empreender

17 de outubro, 2026

Com o objetivo de diminuir os obstáculos enfrentados por estrangeiros recém-chegados ao país, um mutirão realizado na região central de São Paulo reuniu 136 migrantes e refugiados de 23 países. O encontro teve como foco principal a inserção no mercado de trabalho e a capacitação para abertura de novos negócios.

Suporte prático para inserção profissional

Promovida na sede da Aliança Brasil Cidadã, a ação Conexões que Transformam foi organizada em parceria entre o Grupo Mulheres do Brasil, a Konecta Brasil e a Konecta Foundation. Os participantes tiveram acesso a serviços fundamentais para a conquista de uma vaga formal, incluindo apoio com regularização de documentos, palestras explicativas e tradução de currículos para o português.

De acordo com os organizadores, 70% do público atendido estava fora do mercado profissional. Além disso, mais da metade dos inscritos expressou a vontade de empreender, impulsionada pela necessidade imediata de gerar renda enquanto enfrentam dificuldades de contratação. O evento buscou transformar essas ideias em atividades comerciais viáveis, além de contar com a entrega de cestas de alimentos e brinquedos para as famílias.

Barreiras no processo de integração

Atualmente, o Brasil acolhe mais de um milhão de pessoas que demandam acolhimento ou proteção internacional, englobando mais de 160 nacionalidades distintas, lideradas por migrantes da Venezuela, de Cuba e do Haiti. A capital paulista também tem sido o destino de cidadãos vindos de locais em conflito, como Afeganistão, Síria, Palestina e República Democrática do Congo.

Apesar de muitos possuírem ampla bagagem profissional e nível superior, a barreira linguística e os trâmites burocráticos continuam sendo os maiores entraves. Médicos e outros especialistas diplomados, por exemplo, precisam passar pela validação de seus títulos acadêmicos, um processo demorado que muitas vezes os obriga a aceitar funções muito abaixo de suas qualificações.

Histórias de recomeço e superação

Entre os participantes atendidos estava o casal venezuelano Victor Arce, de 65 anos, e Morelba Margarida Aquilar, de 64 anos. Vivendo em território brasileiro há um ano com a filha, o antigo marceneiro decidiu migrar prioritariamente para viabilizar os cuidados médicos da esposa.

Enquanto aguarda por um emprego fixo, o casal obtém recursos com a comercialização de peças de artesanato. Durante as atividades, Victor buscou orientação para formalizar uma microempresa, ressaltando a relevância do acolhimento local e a rapidez do sistema público de saúde no tratamento de sua mulher.

Onde buscar capacitação contínua

Para quem busca orientação profissional contínua, existem caminhos permanentes disponíveis. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) mantém no ar a plataforma Help, canal digital que mapeia redes de assistência municipais e estaduais em todo o território nacional.

Outra alternativa é recorrer à própria Aliança Brasil Cidadã, que disponibiliza cursos gratuitos em diversas frentes técnicas, abrangendo áreas como manicure, informática e inteligência artificial, ferramentas estratégicas para aumentar as chances de contratação e autonomia financeira no país.