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Análise de solo gera economia de R$ 35,2 milhões em SC

18 de outubro, 2026

O diagnóstico preciso das condições químicas da terra transformou-se em uma das ferramentas mais rentáveis para o agronegócio catarinense. Estimativas apontam que a realização da análise de solo gerou um impacto econômico positivo de R$ 35,2 milhões para o estado de Santa Catarina em 2025. Ao identificar com exatidão as reais carências nutricionais de cada área logo após a colheita, o agricultor elimina compras desnecessárias de insumos e garante maior eficiência produtiva em qualquer cultura.

Equilíbrio nutricional e redução de custos no campo

Grande parte das lavouras no Oeste de Santa Catarina apresenta solos naturalmente pobres em nutrientes essenciais. Para torná-los produtivos, torna-se indispensável repor compostos como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), além de micronutrientes específicos, a exemplo de boro e zinco. Essa suplementação pode ocorrer via adubação mineral ou pelo aproveitamento de resíduos orgânicos de suínos, bovinos e aves.

O pesquisador Evandro Spagnollo ressalta que o teste laboratorial deve ser renovado ao menos a cada dois anos, alinhando a dosagem de adubo à meta de produtividade da safra. Responsável por avaliar cerca de 25 mil amostras anualmente, a unidade laboratorial sediada em Chapecó — pioneira nesse atendimento desde 1979 — atua diretamente para conter desperdícios e evitar erros comuns no manejo da fertilidade.

Os perigos da adubação excessiva e o manejo regenerativo

Por concentrar fortes polos da suinocultura e avicultura, a região frequentemente apresenta amostras de terra saturadas de fósforo e potássio, decorrentes da aplicação contínua de esterco. Quando o adubo orgânico é aplicado sem controle prévio, pode provocar o efeito salino, condição severamente prejudicial ao desenvolvimento das raízes e das plantas.

Para mitigar esse risco, especialistas recomendam aferir a qualidade dos efluentes com densímetros ou ensaios laboratoriais antes do despejo na lavoura. Outra estratégia indispensável é a adubação verde durante a entressafra. O plantio de espécies de cobertura promove a ciclagem de nutrientes, amplia a camada de palhada protetora e descompacta a estrutura do solo para o próximo ciclo de semeadura.

Resultados práticos transformam propriedades rurais

Na prática, a precisão técnica tem transformado pequenas propriedades em modelos de alta rentabilidade. No município de Santa Helena, o produtor Adriano Girardi gerencia 36 hectares — sendo 25 dedicados ao milho e seis a pastagens para um rebanho de 25 vacas leiteiras, responsáveis por 56 mil litros de leite mensais. Ao adotar a análise química periódica aliada a uma esterqueira própria e adubação orgânica equilibrada, a colheita de milho atingiu expressivas 170 sacas por ano.

O desempenho permitiu a Girardi expandir o cultivo em mais 15 hectares arrendados, destinando o excedente do grão tanto para o trato bovino quanto para indústrias de fubá. Sob a orientação do extensionista rural Marciano Frosi, o agricultor ainda aposta no plantio em nível contra a erosão e na rotação de coberturas vegetais, utilizando aveia, nabo, milheto e ervilhaca para proteger o terreno e reduzir agrotóxicos.

Cenário similar de modernização ocorre em Águas Frias, onde o técnico agrícola André Balena tornou-se referência ao integrar a pecuária de leite e a suinocultura com 5,6 hectares de milho. Além da testagem rotineira da terra, Balena implementou a fertirrigação para otimizar o uso dos dejetos orgânicos, participando de avaliações agronômicas que comprovaram ganhos consistentes de fertilidade ao longo de três anos.

O avanço desses métodos comprova que a sustentabilidade e a preservação do solo caminham lado a lado com a economia financeira, consolidando lavouras mais resistentes a pragas e assegurando a capacidade produtiva da terra para as próximas gerações.