Boi gordo bate recorde histórico e supera R$ 376 em São Paulo

O mercado pecuário paulista atingiu um patamar inédito com a cotação da arroba do boi gordo ultrapassando a marca de R$ 376, estabelecendo o maior valor nominal já registrado no estado. O movimento altista reflete um aperto considerável na disponibilidade de animais prontos para o abate e uma reconfiguração na dinâmica das negociações entre produtores e frigoríficos.
Retenção no campo e clima favorável enxugam a oferta
A disparada nas cotações é sustentada, sobretudo, pela menor oferta de gado no mercado físico. As chuvas que chegaram de forma antecipada entre setembro e outubro trouxeram alívio às pastagens, permitindo que os pecuaristas segurassem os lotes nas fazendas por mais tempo à espera de melhores condições de venda.
Outro vetor decisivo para esse cenário foi a retenção de fêmeas. Nos últimos dois meses, o abate de vacas e novilhas despencou cerca de 30%, acelerando a transição do ciclo pecuário e priorizando a recomposição dos rebanhos, o que limitou ainda mais o fluxo de animais direcionados às indústrias.
Indústrias enfrentam escalas curtas de processamento
Diante da relutância dos pecuaristas em negociar a preços menores e da escassez generalizada de gado terminado, as indústrias frigoríficas operam com programações bastante apertadas.
Situação das escalas de abate
A média nacional de programação das indústrias se encontra próxima de seis dias úteis. No estado de São Paulo, o intervalo de abate trabalha pressionado, oscilando entre 7 e 8 dias corridos, o que obriga os compradores a elevar as ofertas para preencher a capacidade fabril e evitar paralisações nas plantas.
Comportamento das exportações de carne bovina
No comércio exterior, os volumes globais de exportação continuam em um nível inferior ao contabilizado no mesmo período do ano passado, mas revelam alterações importantes nos destinos da proteína nacional.
Enquanto o mercado norte-americano vem ampliando sua participação nas compras de carne brasileira, os envios para a China recuaram com força. Os embarques para o principal parceiro asiático somaram apenas 11 mil toneladas, um montante expressivamente menor do que as médias registradas nos meses anteriores.
Com as escalas encurtadas e a oferta estrutural de fêmeas em baixa, a tendência é que o mercado físico continue operando sob forte sustentação de preços no curto prazo, equilibrando a menor demanda chinesa com a pressão compradora das indústrias locais.

