Brasil encosta nos EUA e disputa liderança do agro mundial

A corrida pelo topo do comércio agrícola global vive um momento decisivo. O Brasil está a poucos passos de superar os Estados Unidos em receita obtida com exportações do setor, consolidando uma transformação estrutural que vem encurtando drasticamente a distância histórica entre as duas potências agropecuárias.
Em 2025, os embarques norte-americanos geraram US$ 171,5 bilhões, enquanto o faturamento brasileiro alcançou US$ 169,2 bilhões. A vantagem de Washington caiu para apenas US$ 2,3 bilhões — uma diferença mínima se comparada a 2021, quando os produtores dos EUA mantinham uma dianteira de US$ 56 bilhões em relação ao resultado do Brasil.
Soja e inovação tropical impulsionam o avanço brasileiro
A arrancada brasileira reflete ganhos contínuos de produtividade e a conquista de fatias estratégicas no mercado externo. O grande motor dessa expansão é a soja: o país assumiu a liderança na safra 2019/20, ao colher 126 milhões de toneladas contra 114 milhões de toneladas dos americanos. O ciclo de 2026/27 já projeta uma colheita nacional de 181 milhões de toneladas.
Além das safras recordes de grãos, a diversificação da pauta fortaleceu o agronegócio do país com o crescimento das vendas de algodão e carne bovina. Grande parte dessa evolução é fruto da pesquisa agrícola tropical, capitaneada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que viabilizou saltos de rendimento no campo sem precedentes.
Diplomacia e comércio: os desafios geopolíticos a partir de 2026
Mesmo com números recordes, a busca pela liderança global esbarra em um cenário internacional volátil. As eleições de 2026 colocarão à prova a diplomacia do próximo governo federal, que precisará equilibrar interesses frente a barreiras protecionistas, como o tarifaço norte-americano, e à rivalidade geopolítica entre Washington e Pequim.
Analistas destacam que afinidades políticas nem sempre se convertem em dividendos econômicos. De acordo com José Pimenta, da BMJ Consultores Associados, uma aproximação ideológica com a administração de Donald Trump pode destravar canais de conversa, mas não assegura concessões comerciais automáticas ao produto brasileiro.
Para consolidar a dianteira no mercado internacional, a produção agropecuária brasileira terá de aliar a alta eficiência produtiva à habilidade diplomática, mantendo portas abertas simultaneamente na China e no mercado norte-americano.

