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Caminhos da Reportagem ganha o Prêmio Vladimir Herzog

1 de outubro, 2026

A produção jornalística Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão, exibida no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, conquistou o troféu na categoria vídeo da 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O anúncio dos vencedores ocorreu nesta quarta-feira (30).

Histórias resgatadas da invisibilidade

Exibida em 20 de abril de 2026, a matéria premiada retrata a realidade de mulheres submetidas a condições análogas à escravidão em lares brasileiros, além de aprofundar as discussões sobre a rede de acolhimento e assistência no período pós-resgate. Um dos casos de maior repercussão abordados foi o de Madalena Gordiano, resgatada em Patos de Minas no encerramento de 2020.

Entregue ainda jovem a uma família sob a alegação de ser acolhida como “afilhada”, Madalena enfrentou mais de três décadas de exploração doméstica sem salário, folgas ou acesso à própria documentação. O impacto público de sua história abriu caminho para novas denúncias e operações de resgate em diversas regiões do Brasil.

O papel da comunicação pública e a equipe responsável

A repórter Marieta Cazarré destacou que a premiação reforça a responsabilidade do jornalismo público em tratar de violações complexas que acontecem no interior das residências, distantes da vigilância pública. A produtora Patrícia Araújo salientou o trabalho cuidadoso e a sensibilidade dos parceiros do Rio de Janeiro, São Paulo e da Rede Minas, enquanto o editor de texto Paulo Leite celebrou a oportunidade de dar voz a histórias guardadas sob décadas de silêncio.

A construção do episódio envolveu os profissionais Marieta Cazarré, Paulo Leite, Ana Graziela Aguiar, Ana Passos, Cleiton Freitas, Patrícia Araújo, Gabriel Penchel, JM Barboza, Rogério Verçoza, Sigmar Gonçalves, Alexandre Souza, Marcelo Vasconcelos, Rafael Carvalho, Rivaldo Martins, Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia.

Outros trabalhos em destaque na premiação

O programa da TV Brasil marcou presença dupla entre os finalistas com o episódio O Eterno Abril de Carajás: 30 anos de um massacre. Transmitido em 13 de abril de 2026, o especial rememorou o confronto policial que resultou em 21 mortes no município paraense de Eldorado do Carajás em 1996. O material foi desenvolvido por Thiago Padovan, Acácio Barros, JM Barboza, Rafael Carvalho, Márcio Garoni, Rodrigo Botosso, Nelson Lin e Fábio de Albuquerque.

O fotojornalismo também teve representação de destaque com a vitória de Tomaz Silva, da Agência Brasil. O profissional venceu na categoria de fotografia com o registro intitulado Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro. A imagem, que circulou nacional e internacionalmente, documenta a dor de Fernanda da Silva Martins durante o velório do marido após ação policial realizada em outubro de 2025.

Memória histórica e defesa dos direitos fundamentais

Criado em homenagem a Vladimir Herzog, o prêmio mantém viva a memória do jornalista torturado e assassinado em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. O órgão funcionava como o principal núcleo repressivo da ditadura militar (1964-1985), período em que autoridades forjaram uma versão de suicídio para encobrir a morte de Herzog.

A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, ressaltou que as produções condecoradas cumprem o propósito de lançar luz sobre realidades que a sociedade muitas vezes ignora, colocando os direitos humanos no centro da pauta. Na mesma linha, a diretora de Jornalismo Myrian Pereira frisou que as premiações simbolizam a atuação ética, rigorosa e sensível na exposição de injustiças e na consolidação democrática.