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CNA apresenta 8 propostas do agro brasileiro para a COP 31

16 de outubro, 2026

Com foco em transformar compromissos ambientais em ações práticas no campo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) formalizou o posicionamento dos produtores rurais para a COP 31. A 31ª Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU ocorre entre 9 e 20 de novembro na cidade de Antalya, na Turquia, e marca a cobrança do setor produtivo por maior suporte financeiro, respaldo científico e combate a barreiras comerciais injustificadas.

O manifesto foi entregue durante encontro conjunto das Comissões Nacionais de Irrigação e de Meio Ambiente da entidade, com a participação de membros da Embrapa, do Ministério da Agricultura e do Ministério das Relações Exteriores. De acordo com o vice-presidente da CNA, Muni Lourenço, a iniciativa busca mostrar que a agricultura brasileira une conservação à produtividade, posicionando o produtor nacional como elemento central na solução da crise climática.

Da teoria à prática: financiamento e suporte ao produtor

Após uma década da assinatura do Acordo de Paris, a entidade ruralista enfatiza que o principal desafio global não é mais criar metas, mas sim viabilizar sua aplicação. Isso exige a simplificação do acesso a fundos internacionais, diminuição dos custos operacionais de crédito e ampliação das apólices de seguro rural voltadas a eventos climáticos extremos.

A discussão ganha urgência após a COP 29 estabelecer que nações desenvolvidas devem aportar anualmente US$ 300 bilhões até 2035, com expectativas de que o fluxo público e privado atinja ao menos US$ 1,3 trilhão ao ano no mesmo intervalo. Para a CNA, entretanto, esses montantes precisam efetivamente alcançar a ponta produtiva, financiando práticas como a recuperação de pastagens degradadas e a resiliência produtiva contra secas e inundações.

Os eixos prioritários definidos pelo setor agropecuário

Construído a partir de diálogos com federações estaduais e sindicatos rurais, o plano de ação brasileiro para o evento climático organiza-se em oito frentes estratégicas:

Valorização de quem preserva e segurança alimentar

O setor reivindica que a vegetação nativa resguardada dentro das propriedades privadas, em conformidade com o Código Florestal, gere remuneração econômica aos produtores. Paralelamente, defende a manutenção de um espaço próprio para a agricultura nos debates da ONU, fortalecendo iniciativas como o Portal de Sharm el-Sheikh para conectar projetos agrícolas a recursos externos sem impor modelos genéricos a realidades regionais distintas.

Rigor científico e adaptação climática

No âmbito do Balanço Global (Global Stocktake), a demanda é para que os inventários internacionais considerem as particularidades e os dados reais da agropecuária tropical, prevenindo metodologias distorcidas que possam manchar a imagem dos artigos nacionais. Em adaptação, a entidade cobra que os indicadores aprovados nas conferências anteriores venham acompanhados de transferência tecnológica e assistência técnica.

Transição justa, comércio e mitigação

O documento alerta que políticas de transição ecológica não podem se converter em protecionismo comercial verde, o que prejudicaria exportações vitais como café, carne e soja. O segmento sustenta a equivalência ambiental entre as legislações nacionais e defende a sucessão familiar no campo. Por fim, solicita que técnicas sustentáveis consolidadas, a exemplo do plantio direto e da fixação biológica de nitrogênio, sejam devidamente mensuradas e remuneradas pelo potencial de estocagem de carbono no solo.

Para a liderança da CNA, o sucesso das negociações climáticas em Antalya dependerá da capacidade dos negociadores em alinhar sustentabilidade à viabilidade econômica, promovendo inclusão e segurança alimentar por meio de cooperação global eficiente.