Dólar avança para R$ 5,17 e bolsa cai com exterior e eleições

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,27% nesta quarta-feira (23), cotado a R$ 5,169, impulsionado pela valorização da moeda estadunidense no exterior, pela alta do petróleo e pelo cenário eleitoral brasileiro. A divisa chegou a atingir a máxima de R$ 5,177 durante a tarde. Em contrapartida, o Ibovespa recuou 0,86%, encerrando aos 185.814 pontos e voltando a ficar abaixo da marca de 186 mil pontos.
Impacto dos juros americanos e exterior
O movimento de alta da moeda americana encontrou suporte no mercado internacional. O índice DXY, que compara a divisa a uma cesta de seis moedas, avançou 0,54% e alcançou 101,090 pontos, influenciado pelos dados robustos de atividade econômica nos Estados Unidos. O índice de gerentes de compras (PMI) subiu para 58,4 em setembro, reforçando projeções de juros elevados por mais tempo e elevando os rendimentos dos Treasuries.
Os títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos superaram 5% ao ano pela primeira vez desde julho de 2007. Esse cenário de taxas elevadas em economias avançadas estimula a fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil. No acumulado do ano, contudo, a divisa norte-americana ainda registra desvalorização de 5,83% frente ao real.
Desempenho das bolsas e Wall Street
A pressão externa também afetou os ativos de risco na bolsa brasileira, que movimentou R$ 29,68 bilhões. Apesar do recuo diário, o índice acionário brasileiro acumula ganhos de 4,73% no mês de setembro.
Em Nova York, os principais índices encerraram o dia no vermelho, pressionados pelo avanço nos rendimentos dos títulos públicos. O Dow Jones caiu 0,68% (51.512 pontos), o S&P 500 recuou 0,75% (7.706 pontos) e o Nasdaq teve baixa de 1,13% (26.936 pontos). As ações de tecnologia sofreram o maior impacto devido à sensibilidade maior às taxas de juros.
Disparidade no mercado de petróleo
As commodities também influenciaram o cenário econômico global. O petróleo subiu quase 3% após cinco sessões consecutivas de baixa, refletindo a falta de avanços nas negociações geopolíticas entre Estados Unidos e Irã e as tensões contínuas no Oriente Médio.
O barril do tipo Brent avançou 2,84%, cotado a US$ 98,12, enquanto o WTI subiu 1,81%, fechando a US$ 92,16. O movimento de alta ocorreu mesmo com a divulgação de dados do Departamento de Energia dos EUA, que apontaram um aumento de 2,969 milhões de barris nos estoques norte-americanos na semana, contrariando as previsões de baixa do mercado.

