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Fim da escala 6×1: entenda a lei e a luta que mudou o trabalho

19 de outubro, 2026

O mercado profissional brasileiro passa por uma transformação histórica com a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026 pelo Congresso Nacional. A medida encerra oficialmente o modelo de trabalho conhecido como escala 6×1, assegurando que, a partir de dezembro deste ano, os profissionais contratados sob regime formal tenham direito a dois dias de descanso semanal remunerado, com jornada máxima fixada em 40 horas semanais.

Como a mobilização digital transformou a rotina dos trabalhadores

O caminho até a mudança constitucional começou a ganhar força expressiva fora dos gabinetes parlamentares. Em 2023, o ex-balconista de farmácia Rick Azevedo começou a publicar vídeos despretensiosos nas redes sociais expondo o esgotamento físico e mental decorrente de trabalhar seis dias contínuos para usufruir de apenas uma folga.

O desabafo de quem vivenciava a rotina de transportes lotados e falta de tempo para a família ressoou de forma imediata em milhões de brasileiros, resultando na criação do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Natural de Taipas, no Tocantins, e radicado no Rio de Janeiro, Azevedo reuniu mais de 3 milhões de assinaturas por meio de petições digitais, transformando uma queixa comum em bandeira nacional de direitos trabalhistas.

A convergência de propostas no Congresso Nacional

A discussão legislativa sobre a redução da jornada já tramitava em Brasília, mas em ritmo lento. Apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) em dezembro de 2019, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — que sugeria a diminuição da carga semanal de 44 para 36 horas — permaneceu estagnada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por mais de três anos.

O impulso popular liderado pelo movimento VAT acelerou o debate e serviu de base para a PEC 8/2025, encabeçada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) ao lado de mais de 200 parlamentares de diversos partidos. O texto propunha uma semana de quatro dias de trabalho. Diante da pressão popular, com apoio de entidades sindicais e movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), os projetos foram unificados, culminando na aprovação de dois descansos semanais e teto de 40 horas por semana.

Da rotina no comércio à tribuna parlamentar

A liderança do movimento impulsionou a trajetória política de Azevedo. Em 2024, ele foi eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro e, no pleito de 2026, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados como o mais votado da capital fluminense e o segundo mais votado de todo o estado do Rio de Janeiro, com 191.371 votos.

A relevância da mobilização levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sugerir que a emenda ficasse conhecida informalmente como Lei Rick Azevedo, em reconhecimento à origem popular da reivindicação. Azevedo ressalta que a redução da escala devolve dignidade aos trabalhadores e pode beneficiar a economia, ao potencializar a produtividade e movimentar setores como lazer, turismo, comércio e cultura.

Fiscalização e criação da Bancada CLT contra retrocessos

Apesar da vitória legislativa, a manutenção dos novos direitos exigirá vigilância contra manobras do mercado, como a contratação fraudulenta via pessoa jurídica (pejotização) ou a precarização dos contratos. Para conter essas práticas, a atuação conjunta de órgãos fiscalizadores, como o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho (MPT), será indispensável.

Para assegurar a efetividade da lei nos próximos anos e impedir eventuais revisões de bancadas conservadoras, a prioridade declarada no parlamento é a articulação da Bancada CLT, reunindo congressistas focados na blindagem das conquistas trabalhistas e no avanço de novas garantias para a classe operária.