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Fim da escala 6×1 pode encarecer carne de frango e porco

19 de outubro, 2026

A transição no modelo da jornada de trabalho no Brasil pode gerar reflexos diretos na mesa do consumidor. Segundo alertas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as novas regras trabalhistas devem pressionar as despesas operacionais da avicultura e da suinocultura, trazendo risco iminente de menor oferta nas prateleiras e reajustes nas carnes.

Alta nos custos e escassez de trabalhadores

Com a promulgação da PEC que institui o modelo de trabalho em regime 5×2, a carga horária semanal é reduzida de 44 para 42 horas. Embora parte das indústrias já utilize esquemas semelhantes, a entidade estima que a diminuição no tempo efetivo de serviço provocará uma elevação de 5% nos custos operacionais de toda a cadeia produtiva.

O desafio financeiro é agravado por uma dificuldade crônica do setor: a falta de pessoal. Atualmente, os frigoríficos e unidades produtivas já operam com um déficit superior a 20 mil vagas de trabalho abertas. Com a exigência de novas contratações para cobrir as horas suprimidas, as empresas enfrentam um cenário de escassez de mão de obra para manter o ritmo fabril.

Impactos na oferta e preço ao consumidor final

A limitação operacional imposta pelo novo formato pode afetar diretamente a capacidade produtiva das indústrias. Com menos horas de abate e processamento, a disponibilidade de carne de aves e suínos tende a encolher no mercado interno. Como consequência mercadológica natural, a baixa oferta somada ao encarecimento da produção eleva as chances de aumento de preços nos supermercados e açougues.

Atenção ao bem-estar animal e diálogo com o governo

Outra preocupação urgente das indústrias envolve as rígidas diretrizes de bem-estar animal. Como o processo de abate não pode sofrer acúmulos que violem as normas sanitárias e éticas vigentes, a saída imediata pode ser uma desaceleração programada na produção inicial, reduzindo os plantéis criados no campo para que não excedam a capacidade de processamento.

Diante do impasse, representantes da ABPA pretendem abrir conversas diretas com o Ministério da Agricultura. O objetivo do setor é encontrar estratégias regulatórias conjuntas que ajudem a amortecer os impactos operacionais e garantam o pleno abastecimento de alimentos no país.