Flávio Bolsonaro ganha autorização dos Estados Unidos para morar no país até 2027

O governo norte-americano liderado por Donald Trump concedeu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares uma permissão especial para residir temporariamente nos Estados Unidos. Conforme os registros da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), o benefício migratório foi classificado na categoria “DT”, que corresponde ao Discretionary Parole, permitindo a permanência em território americano até outubro de 2027.
Viagem iniciada após derrota eleitoral
A partida do parlamentar brasileiro ocorreu logo após o segundo turno das eleições presidenciais, que consagraram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vitorioso com 51,79% dos votos válidos, superando os 48,21% obtidos pelo candidato do PL, conforme dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na quarta-feira (28), após a divulgação de uma carta questionando o pleito e anunciando planos de liderar a oposição a partir do exterior, o senador desembarcou em Miami a bordo de um jato particular Gulfstream G400, acompanhado pela esposa, Fernanda Bolsonaro, e pelas duas filhas.
Detalhes do trânsito internacional e uso de documentos
Antes de alcançar o solo americano, a família cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves por volta das 22h50, saindo de Foz do Iguaçu em direção a Puerto Iguazú, na Argentina. Registros das autoridades migratórias argentinas apontam que o político utilizou um passaporte italiano — cidadania obtida em 2023 —, enquanto sua esposa e uma das filhas apresentaram documentos brasileiros, e a outra filha utilizou um documento de identidade.
Por volta das 23h30, o grupo embarcou em um voo operado pela empresa Baires Fly S.A., com parada inicial em Guayaquil, no Equador, antes de seguir rumo à Flórida. O caso ganha complexidade porque, ao chegar aos Estados Unidos, Flávio apresentou tanto seu passaporte diplomático quanto o comum, ambos previamente cancelados pela Polícia Federal brasileira após o descumprimento de ordens do Supremo Tribunal Federal (STF) para a entrega dos papéis.
Natureza da permissão migratória americana
O mecanismo jurídico aplicado ao senador — o Discretionary Parole — é avaliado de forma individual pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) em situações específicas de urgência humanitária ou relevância pública. Contudo, os órgãos americanos ainda não detalharam quais justificativas motivaram a aprovação para a família do parlamentar brasileiro.
Especialistas em imigração ressaltam que essa modalidade não configura um visto tradicional nem garante residência permanente, servindo apenas como autorização de entrada temporária. A decisão também não implica o reconhecimento de asilo político ou de situações de perseguição oficial. Enquanto a Polícia Federal investiga se aliados políticos ou empresários financiaram a logística da viagem, o senador permanece legalmente nos Estados Unidos até o vencimento do prazo estipulado pelas autoridades norte-americanas.

