Fundo Amazônia destina R$ 147,6 milhões para IA no Inpe

O monitoramento ambiental no Brasil dará um salto tecnológico com a aplicação de inteligência artificial e aprendizado de máquina para vigiar a cobertura vegetal nativa. Um repasse não reembolsável de R$ 147,6 milhões foi aprovado para viabilizar o projeto Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), iniciativa que terá execução técnica liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ao longo dos próximos 60 meses.
Integração de sistemas e expansão do monitoramento em tempo real
Um dos pilares centrais da nova fase é a unificação dos dados entre o Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes) e o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Com a automação de análises de imagens por algoritmos avançados, o objetivo é aliar o alto detalhamento espacial do Prodes com a agilidade diária do Deter, gerando relatórios intra-anuais mais robustos.
Além disso, o Deter será oficialmente estendido para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. Até então, o envio diário de alertas de degradação e supressão florestal cobria exclusivamente a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, deixando parte relevante da biodiversidade nacional sem essa vigilância contínua.
Mais precisão no mapeamento do fogo e inteligência territorial
O projeto trará uma evolução expressiva no acompanhamento de cicatrizes deixadas por incêndios florestais. Fora do Cerrado, a resolução espacial utilizada atualmente é de 1 quilômetro. Com os novos métodos, a precisão alcançará 30 metros de resolução em todos os biomas do país.
O SIM-Biomas também engloba a implementação de um Subsistema de Inteligência Territorial. Essa ferramenta vai cruzar dados fundiários, climáticos e socioeconômicos com registros de perda e regeneração vegetal para prever cenários de risco iminente. O pacote contempla ainda medições na atmosfera de gases de efeito estufa na região amazônica e o lançamento da plataforma aberta TerraBrasilis++, que reunirá gráficos, mapas e alertas em um único ambiente público.
Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o projeto terá operação administrativa da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate).
Recuo no desmatamento e combate aos incêndios
A novidade chega acompanhada de índices positivos de preservação divulgados pelo Inpe. No período entre agosto de 2025 e julho de 2026, a taxa de desmatamento na Amazônia recuou 41,8%, passando de 5.731 km² para 3.335 km². No mesmo intervalo, a devastação no Cerrado caiu 23,8%, baixando de 7.235,27 km² para 5.516,69 km².
Somado a essas medidas de inteligência, o Fundo Amazônia mantém uma carteira de R$ 521 milhões já contratados especificamente para a prevenção e contenção de queimadas irregulares e focos de incêndio em 14 estados brasileiros.

