Lei de MT garante sessões de cinema adaptadas para autistas

As salas de cinema em Mato Grosso agora contam com diretrizes específicas para acolher pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares. Em vigor no estado, a Lei nº 13.256/2026 determina que todos os complexos cinematográficos promovam, no mínimo, uma exibição mensal totalmente adaptada para atender às particularidades sensoriais desse público.
Diretrizes e exigências para as exibições inclusivas
De autoria do deputado estadual Sebastião Rezende, a legislação foi sancionada em março de 2026, estipulando um prazo de 90 dias para que as empresas do setor se ajustassem aos novos padrões. O objetivo central é criar um ambiente confortável, atenuando estímulos visuais e sonoros que costumam provocar sobrecarga sensorial em indivíduos atípicos.
Para cumprir a determinação legal, os estabelecimentos precisam seguir critérios operacionais claros:
- Frequência mínima: oferta de ao menos uma sessão especial a cada mês;
- Ajustes de som e luz: volume acústico reduzido e iluminação moderada mantida acesa durante toda a projeção;
- Sem anúncios comerciais: supressão completa de propagandas e trailers antes do filme;
- Liberdade de locomoção: permissão para que o público circule, entre ou saia do espaço sempre que necessário;
- Sinalização visível: fixação do símbolo internacional do autismo na entrada da sala reservada.
Salas do estado já colocam a adaptação em prática
Diversos complexos em Mato Grosso já vinham desenvolvendo projetos voltados à comunidade autista antes mesmo da obrigatoriedade, expandindo o modelo da capital ao interior.
Cuiabá
Na capital, a rede Cinépolis, localizada no Shopping Estação, realiza uma programação mensal inclusiva. As exibições ocorrem ao longo de quatro dias com duas opções de títulos, operando com metade da iluminação usual, som atenuado e livre circulação.
Várzea Grande
Pioneiro na iniciativa, o Cineflix do Várzea Grande Shopping promove sessões sensoriais há anos, sempre na última sexta-feira do mês, nos primeiros horários da tarde. O local diminui o ar-condicionado e a luz, além de conceder gratuidade para pessoas com deficiência.
Nova Mutum
No interior, o Cine 163 estruturou suas primeiras sessões adaptadas em agosto de 2026, eliminando comerciais e reduzindo a intensidade do áudio. O espaço também oferece gratuidade mediante apresentação de laudo.
A proprietária da sala em Nova Mutum, Francielli Vila, reforça que a troca com a comunidade é indispensável para o sucesso das exibições. Segundo ela, escutar os pais na escolha dos filmes garante um evento acolhedor, onde tanto a criança quanto a família recebem o suporte e a escuta necessários.
Inclusão cultural além da venda de ingressos
A flexibilização do ambiente físico combate o estresse gerado por salas escuras e sons estridentes, permitindo que responsáveis acompanhem as necessidades de cada indivíduo sem constrangimentos. A nova legislação reforça que o acesso pleno ao lazer exige preparo estrutural e respeito às particularidades de desenvolvimento de crianças e jovens com autismo.

