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Paulistana troca capital pelo campo e prospera na avicultura

17 de outubro, 2026

O distanciamento da família e os impactos econômicos da crise global de 2008 transformaram radicalmente a trajetória de Luciane Oliveira. Disposta a deixar a rotina corporativa de São Paulo para se reaproximar dos pais, a ex-moradora da capital substituiu o plano de abrir uma loja de roupas pelo desafio de gerenciar uma criação de frangos de corte em Guaxupé, no sul de Minas Gerais.

Da incerteza financeira ao recomeço no Sítio Aconchego

A decisão de mudar de vida ganhou força quando os irmãos de Luciane tomaram rumos diferentes, deixando seus pais, Alceu e Laurinda Oliveira, sozinhos na propriedade recém-adquirida no interior mineiro. O sítio era a concretização de um sonho antigo do casal, que trabalhou por décadas na capital paulista após Alceu deixar o trabalho braçal na zona rural de Andradina (SP) para atuar na indústria metalúrgica em 1975.

Ao se deparar com a recessão econômica que inviabilizou seu projeto no varejo de moda, Luciane propôs aos pais criar uma fonte de renda na própria terra. Em busca de uma atividade estruturada e com lastro comercial, a família optou pelo sistema de integração avícola, dando início à construção dos primeiros galpões no Sítio Aconchego — batizado em homenagem à famosa canção interpretada por Elba Ramalho.

Os desafios e o aprendizado no manejo avícola

O primeiro lote com cerca de 14 mil aves chegou à propriedade em janeiro de 2009. Sem nenhuma bagagem anterior no agronegócio, Luciane enfrentou um período intenso de capacitação técnica e adaptação ao trabalho diário na granja.

Logo no ciclo inaugural, a morte de 34 aves próximas do ponto de abate gerou frustração, mas serviu como lição de resiliência. A produtora rapidamente compreendeu que o sucesso do lote dependia do olhar atento às oscilações térmicas e ao comportamento dos animais, superando a dependência exclusiva dos painéis automatizados.

Estrutura técnica e eficiência na produção

Quase 18 anos após a virada na carreira, a propriedade conta com dois galpões modernos equipados com aquecimento a gás e sistemas avançados de ventilação e controle climático. O manejo rigoroso rendeu aos Oliveira destaque regional, incluindo a décima colocação em avaliações de desempenho operacional promovidas pela integradora.

Além de gerar dois empregos diretos e movimentar a cadeia de suprimentos da região, o sítio planeja novos investimentos. O projeto de expansão prevê a construção de um terceiro galpão integrado, acompanhado de melhorias nas redes de água, energia e a instalação de uma usina fotovoltaica para suprir a demanda energética da produção.

Hoje consolidada como líder do empreendimento e futura sucessora do negócio, Luciane celebra o fato de trocar o ambiente urbano pela rotina no campo, garantindo não apenas a subsistência financeira, mas a união familiar e a participação direta na cadeia de produção de alimentos do país.