Petróleo cai mais de 7% com sinais de diálogo entre EUA e Irã

Em forte desvalorização, os preços internacionais do petróleo registraram perdas superiores a 7% nesta segunda-feira (2). O recuo expressivo foi estimulado pelo alívio nas tensões geopolíticas, diante da possibilidade de um entendimento entre os Estados Unidos e o governo iraniano para a liberação do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, além da postura da Opep+ em manter sua produção estável.
Queda expressiva nas bolsas de Londres e Nova York
No mercado londrino, o barril do Brent com vencimento para janeiro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), sofreu baixa de 7,63% (queda de US$ 8,66), finalizando o dia cotado a US$ 104,77. Paralelamente, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para entrega em dezembro despencou 7,36% (perda de US$ 7,66), encerrando a US$ 96,46 por barril.
Expectativa de distensão e reabertura de Ormuz
O movimento de liquidação ganhou força após o Irã sinalizar a existência de um plano de 48 horas para restabelecer o fluxo pelo Estreito de Ormuz e reiniciar negociações nucleares, desde que os norte-americanos acatem exigências prévias. Do lado americano, o presidente Donald Trump afirmou que Teerã busca um consenso, resumindo a conjuntura ao declarar: “Vamos ver”.
De acordo com análise da Zaye Capital Markets, a retomada da via diplomática esfria os riscos de choques de oferta no Oriente Médio, amenizando temores recorrentes sobre gargalos no escoamento de combustíveis pelo corredor marítimo.
Manutenção de cotas da Opep+ e projeções divergentes
No front da oferta, um grupo de sete nações da Opep+ ratificou a decisão de conservar as metas de extração para o mês de dezembro nos mesmos patamares vigentes desde setembro. A definição ocorre em um contexto onde petroleiros ainda recorrem a rotas alternativas para driblar os bloqueios em Ormuz acumulados nos últimos meses.
Apesar do recuo nos preços correntes, o banco Goldman Sachs caminhou no sentido inverso ao revisar para cima suas previsões. A instituição financeira elevou o preço médio estimado para o Brent em dezembro de US$ 90 para US$ 105 por barril, além de projetar um valor de US$ 88 para 2027, acima da estimativa anterior de US$ 80.
A conjunção de acenos diplomáticos no Golfo Pérsico com o horizonte previsível na extração de óleo bruto garantiu um dia de forte correção nas cotações globais, aliviando momentaneamente a pressão inflacionária ligada à energia.

