Pix registra queda de 10% em transações após proibição de bets

O volume de operações realizadas por Pix sofreu uma retração de 10% logo após a publicação da medida provisória que determinou a proibição das apostas esportivas virtuais, popularmente chamadas de bets. Entre o sábado (26) e a segunda-feira (28), o sistema financeiro nacional computou 608,6 milhões de transferências e pagamentos, patamar abaixo da média registrada nos mesmos dias das quatro semanas precedentes.
Impacto detalhado por dia
As informações estatísticas foram divulgadas pelo Banco Central e têm como base as operações liquidadas através do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI). A análise diária demonstra que a retratação ocorreu de forma consistente em todo o período avaliado, embora a autarquia monetária ressalte que os dados brutos, de forma isolada, não confirmam um vínculo direto de causa e efeito entre a nova legislação e o comportamento do indicador.
O levantamento detalhado aponta que no sábado (26) foram contabilizadas 229,6 milhões de transações, o que representa uma baixa de 11%. No domingo (27), o volume atingiu 165,9 milhões de operações, configurando um recuo de 12%. Já na segunda-feira (28), o total chegou a 213 milhões, marcando uma redução de 7,4% em comparação ao histórico recente.
Retração nos valores financeiros
Além da diminuição na quantidade de operações, o fluxo de dinheiro movimentado pelo sistema instantâneo também encolheu. A perda acumulada nos três dias alcançou 15,5% no montante financeiro em relação à média dos quatro finais de semana anteriores, somando um total de R$ 183,58 bilhões transacionados no período.
Separando por dias, o sábado registrou R$ 33,23 bilhões (queda de 10%), o domingo somou R$ 18,87 bilhões (recuo de 20,6%) e a segunda-feira fechou com R$ 131,48 bilhões (baixa de 16%). Os números refletem estritamente o cenário logo após a assinatura da MP na sexta-feira (25), que vetou qualquer atividade relacionada à exploração, oferta, publicidade ou intermediação de apostas esportivas na internet.
Apesar da forte coincidência temporal entre o decreto governamental e o arrefecimento dos indicadores do meio de pagamento, especialistas e o próprio Banco Central ponderam que múltiplos fatores econômicos e sazonais podem influenciar o volume de transações. Questionada sobre o tema, a instituição financeira não confirmou se o resultado decorre diretamente do cerco às plataformas de apostas.

