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Preço da soja cai no Brasil com recuo em Chicago e dólar

19 de outubro, 2026

O mercado brasileiro de soja começou a semana sob forte pressão negativa. A combinação entre o recuo das cotações internacionais e a desvalorização da moeda norte-americana provocou uma redução nas propostas dos compradores nas praças nacionais, travando o ritmo das negociações no mercado físico.

Produtores se afastam e negócios ficam travados no mercado físico

Diante de prêmios portuários que não conseguiram compensar o cenário externo desfavorável, as indústrias e tradings diminuíram as ofertas de compra. Como resposta imediata, os produtores rurais optaram por suspender as vendas na tentativa de defender margens, resultando em um dia praticamente sem liquidez.

As poucas operações registradas foram pontuais, limitando-se a entregas imediatas com pagamento programado para janeiro. As cotações da saca de 60 quilos fecharam com variações distintas pelo país:

  • Paranaguá (PR): caiu de R$ 155,00 para R$ 153,00
  • Rio Grande (RS): caiu de R$ 155,50 para R$ 154,00
  • Cascavel (PR): caiu de R$ 144,00 para R$ 142,00
  • Dourados (MS): caiu de R$ 140,50 para R$ 138,00
  • Rio Verde (GO): caiu de R$ 139,00 para R$ 138,00
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 141,00 para R$ 140,00
  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,50 para R$ 147,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 148,00

Bolsa de Chicago acumula seis sessões em baixa

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da oleaginosa registraram o sexto pregão consecutivo de desvalorização. O rápido avanço dos trabalhos de colheita nos Estados Unidos, aliado a projeções meteorológicas favoráveis ao cinturão agrícola norte-americano, ditou o ritmo de vendas por parte de fundos e investidores especulativos.

O contrato com vencimento em novembro encerrou com recuo de 0,61% (baixa de 7,75 centavos), cotado a US$ 12,53 1/2 por bushel. Já o contrato para janeiro recuou 0,54% (perda de 7,00 centavos), finalizando a US$ 12,68 3/4 por bushel.

Os derivados da commodity também fecharam no campo negativo: o farelo para dezembro caiu 0,64%, negociado a US$ 354,80 por tonelada, enquanto o óleo com entrega no mesmo mês cedeu 0,65%, para 66,69 centavos de dólar por libra-peso.

Demanda externa e inspeções norte-americanas

Mesmo com anúncios de exportações privadas dos Estados Unidos — somando 261 mil toneladas para destinos não revelados e 114 mil toneladas para a China —, o fluxo comprador não foi suficiente para reverter a tendência de baixa.

Em paralelo, o relatório oficial de inspeções para exportação apontou o embarque de 2.001.750 toneladas de soja norte-americana na semana concluída em 15 de outubro, um volume bastante superior às 1.109.385 toneladas verificadas na semana imediatamente anterior.

Dólar em queda amplifica perdas no cenário doméstico

Para completar a pressão sobre a rentabilidade no Brasil, o dólar comercial encerrou a sessão com recuo de 0,51%, cotado a R$ 5,0468 para venda e R$ 5,0448 para compra. Ao longo do dia, a divisa atingiu a máxima de R$ 5,0648 e a mínima de R$ 5,0398.

A perda combinada entre câmbio e Chicago reforça um ambiente de cautela, mantendo compradores e vendedores em compasso de espera até que surjam novos direcionadores para os preços no mercado internacional.