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Produtor de SC começou com trocas e construiu granja moderna

18 de outubro, 2026

Em um terreno acidentado onde o cultivo extensivo de grãos encontra barreiras geográficas, a persistência e a criatividade abriram caminho para uma atividade pecuária bem-sucedida. No município de Xavantina, no Oeste de Santa Catarina, a trajetória de Leonir Babinski ilustra como acordos informais e parcerias rurais moldaram uma estrutura moderna de suinocultura, que partiu de uma baia improvisada para instalações tecnificadas.

O início firmado na confiança e no escambo

Filho de agricultores, Leonir assumiu a liderança das terras familiares ainda jovem, após o falecimento do pai. A necessidade de quitar a propriedade exigiu soluções criativas em um período de escassez de recursos financeiros. A saída encontrada foi o escambo: ele entregava a colheita de milho a um suinocultor vizinho, que repassava os valores diretamente ao antigo dono do imóvel. Os registros eram mantidos a lápis em pedaços de papel guardados em caixas de lenha, firmados apenas na palavra.

A estratégia garantiu a escritura definitiva da área em 1990. No ano seguinte, em 1991, o produtor decidiu ingressar formalmente na criação de suínos, erguendo um galpão rústico de 10 por 7 metros (70 metros quadrados) financiado pela venda de milho. Os primeiros animais foram obtidos por meio de novos acordos locais: uma leitoa veio como remuneração por serviços de engorda e um casal de reprodutores foi cedido por um vizinho em troca do compartilhamento de água. Com a compra de outros animais, o plantel inicial atingiu oito matrizes.

Superação climática e a transição para a integração

Os primeiros anos foram marcados por incertezas financeiras e oscilações constantes no preço da carne suína. Além do mercado instável, o rigor do inverno catarinense demandava esforço físico redobrado. Na ausência de sistemas automatizados, o manejo exigia visitas frequentes às instalações durante a madrugada para verificar aberturas e proteger a tropa do frio.

A consolidação do negócio ganhou fôlego com a adoção do sistema integrado de produção junto à agroindústria, modelo que permitiu a modernização estrutural com equipamentos de climatização e ambiência. Ao atingir o patamar de 180 fêmeas, a propriedade realizou um novo salto produtivo, viabilizado por linhas de crédito e suporte técnico da integradora, praticamente duplicando o volume de matrizes.

A vocação da região reforça essa escolha produtiva. O relevo marcado por morros e pedras limita a viabilidade de monoculturas como a soja e o milho, tornando a integração de suínos, aves e bovinos leiteiros a principal alternativa de sustento familiar.

Rigor sanitário e gestão de processos

Com o crescimento do plantel e a sofisticação da infraestrutura, a gestão sanitária passou a ocupar posição central na rotina da granja. A padronização dos processos internos é acompanhada de perto pela assistência técnica para garantir a conformidade dos animais e a rentabilidade do lote.

Segundo Heloísa Busatta, extensionista da JBS/Seara no Oeste catarinense, a formalização das rotinas assegura que nenhuma etapa crítica seja negligenciada. O protocolo inclui listas de checagem, planilhas diárias e rígido controle de acesso de visitantes, mapeando a origem de cada pessoa para blindar o ambiente contra ameaças biológicas. O alinhamento consciente do produtor a essas normas garante a eficiência sustentável de todo o ciclo produtivo.