Entidades representativas da Polícia Federal reagiram publicamente contra a decisão que determinou o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Representantes de servidores e delegados alertam para os riscos de instabilidade interna e questionam a condução jurídica da medida tomada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).
Repúdio ao uso político e defesa da estabilidade
O Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (SinpecPF), porta-voz de aproximadamente 2 mil servidores administrativos em todo o país, divulgou nota de apoio aos dirigentes afastados. A organização condenou veementemente qualquer tentativa de interferência motivada por disputas partidárias dentro da estrutura policial.
De acordo com a entidade sindical, divergências políticas não podem comprometer a autonomia de um órgão de Estado, especialmente em momentos cruciais como a proximidade de eleições presidenciais. O sindicato frisou ainda que alterações bruscas no comando trazem reflexos diretos na rotina dos milhares de trabalhadores que sustentam o funcionamento das unidades federais em território nacional.
Delegados apontam momento de crise institucional
Em consonância com as críticas, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que reúne cerca de 2,3 mil profissionais da categoria, manifestou profunda preocupação com o cenário atual, definindo a situação como uma crise de grandes proporções.
A associação sustenta que a retirada do diretor-geral de seu posto não poderia ter ocorrido por via monocrática de um ministro, mesmo com posterior deliberação de turma. Segundo os delegados, uma medida com essa magnitude exigiria a apreciação obrigatória do plenário do STF, destacando que ações isoladas abalam o equilíbrio e a segurança jurídica interna da instituição.
Julgamento suspenso no Supremo
A determinação para afastar a cúpula da corporação partiu de uma liminar concedida pelo ministro André Mendonça, em resposta a um pedido formalizado pelo Partido Novo. Embora a maioria da Segunda Turma do Supremo tenha sinalizado voto favorável à manutenção da liminar, a tramitação foi suspensa devido a um pedido de vista apresentado pelo ministro Gilmar Mendes.








