domingo, 20 setembro 2026
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Candidatos usam IA sem aviso em perfis oficiais nas redes

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Levantamento aponta uso de IA sem identificação por candidatos

Perfis oficiais de candidatos nas redes sociais veicularam ao menos 37 conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA) sem qualquer sinalização aos eleitores sobre o uso da tecnologia. A prática ignora as regras estabelecidas para o pleito, que exigem transparência quando recursos digitais sintéticos são empregados na propaganda eleitoral.

Lula e Flávio Bolsonaro são os principais alvos de deepfakes

Um monitoramento realizado entre 16 e 26 de agosto analisou 314 materiais suspeitos que circulavam em plataformas digitais e aplicativos de mensagens instantâneas. Desse total, o uso de inteligência artificial foi confirmado em 282 publicações, a grande maioria composta por deepfakes — conteúdos desenvolvidos para clonar voz, fisionomia ou ações de figuras públicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o indivíduo mais retratado nas montagens enganosas, somando 115 aparições. Em seguida, o senador Flávio Bolsonaro desponta como o segundo alvo mais frequente, identificado em 56 dessas peças alteradas.

Facebook e Instagram concentram maior volume de peças manipuladas

O Facebook liderou com folga o volume de postagens fraudulentas identificadas, com 202 registros do tipo no período analisado. Já o Instagram apareceu na segunda posição, reunindo 62 ocorrências.

O aspecto mais crítico apontado pelas análises recai sobre as publicações feitas diretamente por canais institucionais de legendas e postulantes a cargos públicos. Ao contrário de boatos que ganham força por perfis anônimos, as páginas oficiais têm o dever expresso de avisar a audiência sobre a manipulação digital em sua comunicação.

Regulamentação do TSE e dever das plataformas

A Justiça Eleitoral já aprovou restrições severas sobre o uso de tecnologias gerativas durante as campanhas. As normas impõem barreiras explícitas para a adulteração e recriação de imagens ou sons de candidatos e personalidades públicas.

Sob essas diretrizes, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que as plataformas e redes sociais também estão sujeitas a responsabilizações legais caso descumpram determinações para remover perfis falsos e peças desinformativas de seus ambientes virtuais.

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