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Chuvas reduzem safra de trigo em SP para menos de 20% do previsto

3 de novembro, 2026

As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo ao longo de setembro devem derrubar a produção de trigo para menos de 20% das 350 mil toneladas estimadas inicialmente para a safra 2026/2027. Além do tombo na colheita, o excesso de umidade prejudicou severamente a qualidade dos grãos, fazendo com que apenas 10% a 15% do volume obtido seja classificado como Tipo 1.

Impacto das chuvas e reuniões do setor

O panorama crítico foi debatido durante a última reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, ocorrida na Cooperativa Castrolanda, em Itaberá (SP). O encontro reuniu autoridades governamentais, produtores e indústrias para analisar os reflexos climáticos e debater alternativas para sustentar a atividade agrícola no território paulista.

De acordo com o presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, a situação superou em gravidade as previsões iniciais. O acúmulo de chuvas chegou a impressionantes 629 milímetros em setembro em alguns municípios, e a continuidade da precipitação ainda ameaça as lavouras que permanecem no campo aguardando a colheita.

Desafios econômicos e reação da indústria

Diante da quebra histórica, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) destacou a urgência de estreitar os laços entre agricultores e moinhos. A intenção é garantir o escoamento do cereal regional e oferecer suporte para a permanência dos produtores na atividade.

O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, alertou que o processo de recuperação da triticultura paulista exigirá fôlego financeiro e enfrentará obstáculos econômicos não apenas nesta temporada, mas também nos próximos anos. Apesar das dificuldades, o setor avalia a chegada de uma medida provisória para amparar os agricultores atingidos pelos prejuízos climáticos.

Avanço na qualidade e cenário internacional

Apesar do revés atual, dados apresentados no encontro mostraram que a safra anterior (2025/2026) registrou alta de 45,3% nas compras do trigo paulista pelos associados do sindicato, saltando para 586.330 toneladas. A nota média de satisfação da indústria com o produto subiu de 7,9 para 8,9, com melhorias expressivas em atributos como cor, sanidade e homogeneidade, superando inclusive o trigo argentino em vários quesitos.

No panorama global, o mercado externo também dita o ritmo do abastecimento. Especialistas da StoneX apontam que a produção mundial de trigo deve atingir 882 milhões de toneladas, enquanto o consumo ficará em 824 milhões. As atenções do mercado voltam-se para o volume de exportações da Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e Argentina, além das oscilações cambiais que impactam as operações brasileiras de importação e exportação.

Encerrando os debates, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo apresentou novas propostas para otimizar a atuação das câmaras setoriais. O objetivo é aprimorar o planejamento estratégico, garantir maior transparência e fortalecer a resiliência dos produtores rurais diante de crises climáticas futuras.