Indústria de alimentos prevê faturamento superior a R$ 310 bi no food service para 2026

As vendas da indústria de alimentos direcionadas ao mercado de alimentação fora do lar devem ultrapassar a marca de R$ 310 bilhões em 2026, de acordo com projeções reveladas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Crescimento nominal e real
O montante estimado representa uma alta nominal entre 7,5% e 8,5% em comparação aos R$ 287,9 bilhões esperados para 2025. Descontando a inflação, a expansão real calculada para o período é de 2%. Esses dados foram oficializados durante o 19º Congresso ABIA de Food Service, realizado na capital paulista.
Hábitos de consumo e orçamento familiar
O setor engloba restaurantes, bares, lanchonetes e padarias. Atualmente, os gastos com comida representam cerca de 22% do orçamento das famílias no país. Deste montante, a fatia direcionada às refeições consumidas fora do domicílio deve alcançar 30,5% em 2026. Trata-se do patamar mais elevado desde o período pandêmico, embora permaneça abaixo do patamar de 34,7% verificado em 2019.
Apesar de manter o hábito de frequentar estabelecimentos gastronômicos, o público tem demonstrado maior seletividade nos gastos. Desafios operacionais ligados a despesas e à escassez de mão de obra exigem adaptação constante por parte dos empresários e fabricantes.
Pressão inflacionária e custos logísticos
Entre os principais obstáculos econômicos mapeados, destacam-se a elevação de cerca de 10% nos custos industriais e o salto de quase 20% no preço das embalagens. Além disso, o diesel registrou alta superior a 15%, encarecendo o frete e a cadeia de distribuição. No consumidor final, a inflação do setor acumulou alta de 5,57% em doze meses até setembro.
Novos negócios e formalização
Mesmo diante do cenário desafiador de custos, o mercado segue dinâmico. Um estudo realizado em conjunto com a Wise Sales indica a criação de aproximadamente 420 mil novas empresas de food service em 2025. Paralelamente, 289 mil empresários deixaram o enquadramento de Microempreendedor Individual (MEI) para adotar formatos jurídicos de maior porte, refletindo a maturação do mercado.
A perspectiva da entidade consolida um cenário de recuperação e ampliação das receitas, equilibrando a retomada do consumo fora de casa com os impactos inflacionários da cadeia produtiva e logística.

