O Centro da capital fluminense foi tomado pela quinta edição da Marcha Trans & Travesti neste sábado (19), reunindo centenas de pessoas em um ato público voltado à garantia de direitos e à inclusão social. Sob a bandeira da defesa da democracia, a manifestação uniu reivindicações políticas, apresentações artísticas e atendimentos sociais gratuitos para a população LGBTQIA+.
Serviços de saúde e retificação de nome civil
Muito além da mobilização nas ruas, o evento disponibilizou iniciativas práticas de acolhimento. Em parceria com o Núcleo de Diversidade Sexual da Defensoria Pública do Rio de Janeiro (Nudiversis), os participantes puderam dar entrada no processo de retificação do nome civil nos documentos oficiais.
Foi o caso da universitária Helena, de 22 anos, que esteve na marcha acompanhada da mãe, a supervisora de quiosque Edna Oliveira, integrante do coletivo Mães pela Diversidade. Helena iniciou o processo de transição de gênero há cerca de dois anos e aguardava o momento certo para alinhar seu registro à sua identidade antes de obter o diploma de graduação. Na área da saúde, equipes municipais aplicaram vacinas contra a gripe e realizaram exames rápidos para diagnóstico do HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Democracia representativa contra o pânico moral
A discussão política foi o eixo central dos discursos durante a concentração. Para a coordenação do movimento, a realização do ato em período eleitoral é estratégica para combater narrativas que utilizam a pauta de gênero como instrumento de polarização e “pânico moral” entre candidatos.
De acordo com o organizador Gab Van, o conceito de regime democrático precisa abraçar recortes de território, raça, classe e gênero. Van destacou que a democracia real só existe quando indivíduos trans têm a liberdade de transitar pelos espaços urbanos, estudar, trabalhar, cuidar da saúde e construir laços afetivos sem temer a violência ou a exclusão institucional.
Tradição de luta histórica no Rio de Janeiro
Criada oficialmente em 2022, a caminhada atual resgata uma mobilização histórica de 1993, quando travestis marcharam da Igreja da Candelária até a Cinelândia para exigir dignidade e segurança. Ao retomar esse trajeto três décadas depois, o movimento reafirma o compromisso de não aceitar retrocessos e seguir ocupando o espaço público como forma legítima de representação social.









