O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez duras críticas à atuação do governo brasileiro diante do crime organizado, afirmando que o país não conseguiu combater com eficácia as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A declaração foi registrada em relatório anual sobre o trânsito global de entorpecentes enviado ao Congresso norte-americano.
Acusações sobre a expansão do narcotráfico
No documento oficial relativo ao ano fiscal de 2027, o líder norte-americano sustentou que as duas organizações criminosas converteram o território brasileiro em um centro nevrálgico para o comércio internacional de cocaína. Enquanto elogiou governos vizinhos por adotarem posturas rígidas contra cartéis, Trump classificou o PCC e o CV como ameaças globais e cobrou medidas enérgicas e imediatas das autoridades do Brasil para conter o crescimento dos grupos.
A ofensiva retórica ocorre meses após os Estados Unidos incluírem formalmente ambas as facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A medida, oficializada em junho pelo Departamento de Estado sob a liderança de Marco Rubio, concede poderes ampliados a Washington para impor sanções econômicas e rastrear ativos vinculados às lideranças criminosas. Na ocasião da designação, a diplomacia brasileira contestou a classificação, defendendo que o enfrentamento ao crime seja pautado pela cooperação técnica e pelo respeito à soberania nacional.
Posição do Brasil no cenário internacional de drogas
Apesar do tom incisivo adotado por Trump, o relatório não incluiu o Brasil no grupo de nações que falharam de forma comprovada em atender aos compromissos internacionais antidrogas — lista que inclui Venezuela, Bolívia, Colômbia, Afeganistão e Birmânia. O país também permaneceu de fora da relação de grandes produtores ou principais entrepostos de passagem de substâncias ilícitas elaborada pela Casa Branca.
Alinhamentos políticos e cobranças a outros países
A manifestação presidencial traçou uma clara distinção diplomática na América Latina. Trump distribuiu elogios a administrações politicamente alinhadas a Washington, mencionando avanços recentes em nações como Argentina, Equador e El Salvador, além de destacar expectativas positivas com novos governantes no Peru, na Bolívia e na Colômbia, a despeito de esses países continuarem listados nas rotas do narcotráfico.
Em contraste, pressões diplomáticas foram direcionadas a outros parceiros comerciais. O presidente norte-americano cobrou fiscalizações mais rigorosas do México em regiões dominadas por cartéis e apontou a necessidade de o Canadá intensificar o controle de laboratórios ilegais de fentanil. Trump também exigiu maior rigidez da China no cerco à exportação de insumos químicos usados na sintetização de drogas sintéticas vendidas na América do Norte.









