domingo, 20 setembro 2026
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Andrei nega monitoramento de Mendonça e pede permanência na PF

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Andrei Rodrigues nega que PF tenha monitorado ministro André Mendonça

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, rechaçou formalmente as acusações de que a corporação teria realizado qualquer espionagem ou vigilância clandestina voltada contra o ministro André Mendonça ou integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU). Em documento encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, o delegado defendeu a legalidade de sua conduta e solicitou a manutenção de seu mandato à frente da instituição policial.

Defesa técnica e cumprimento de ordens judiciais

Na manifestação enviada dentro do prazo determinado por Fachin, Rodrigues assegurou que as peças informativas produzidas pela corporação atenderam a determinações expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes. O chefe da PF frisou que não houve iniciativa autônoma ou desvio de função, mas sim o estrito cumprimento de uma ordem judicial em trâmite regular na Corte.

O diretor-geral classificou as suspeitas como infundadas e garantiu a lisura dos procedimentos. De acordo com Rodrigues, os relatórios possuem natureza estritamente institucional e encontram respaldo nos sistemas internos da corporação. Ele esclareceu que a ausência da assinatura individual do analista cumpre normas de segurança funcional estabelecidas pelo Decreto nº 8.793/2016, concebidas para resguardar a integridade física e operacional dos profissionais do setor de inteligência.

Além disso, a peça de defesa questionou a legitimidade do Partido Novo para demandar providências cautelares diretamente ao Judiciário. O delegado ponderou que legendas partidárias podem apontar indícios de irregularidades aos órgãos competentes, mas não detêm competência processual para requerer intervenções judiciais restritivas contra ocupantes de cargos públicos.

AGU aponta risco à hierarquia e competência do Executivo

A postura de Andrei Rodrigues contou com a chancela imediata da Advocacia-Geral da União, que também protocolou petição reforçando a urgência da sua permanência no comando. Para a AGU, a destituição monocrática de dirigentes da corporação usurpa prerrogativas exclusivas da Presidência da República, a quem compete estruturar a administração federal e nomear os seus quadros estratégicos.

O órgão federal destacou ainda que tanto a Direção-Geral quanto a Diretoria de Inteligência Policial formam o núcleo de liderança vital da PF. Um afastamento judicial dessas posições traria prejuízos imediatos à cadeia hierárquica e ao planejamento operacional dos trabalhos investigativos em curso.

Origem do conflito interno no Supremo

O embate entre magistrados se aprofundou quando André Mendonça retirou o sigilo de investigações que expunham conversas do celular de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master investigado na Operação Compliance Zero. As mensagens recuperadas citavam interlocuções atribuídas a Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, gerando reação imediata.

Em resposta, Moraes anexou Mendonça ao inquérito que apura ataques e notícias fraudulentas contra a Corte, baseando-se em um relatório preliminar da PF sobre suspeitas de desvio funcional e favorecimento político na relatoria das fraudes contra o INSS. O cenário culminou na liminar em que Mendonça determinou a suspensão preventiva de Rodrigues e do diretor de inteligência Leandro Almada, além de ordenar o congelamento temporário da confecção de documentos analíticos pela corporação.

Decisões cruzadas mobilizam ministros

O ato monocrático de Mendonça gerou crise interna na cúpula da Polícia Federal, levando outros diretores a colocarem funções à disposição em solidariedade à chefia. Horas depois, o ministro Flávio Dino anulou as sanções em um processo conexo — que apura desvios de emendas parlamentares na produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro —, sob o argumento de que a suspensão da inteligência prejudicaria apurações em andamento.

Por fim, Edson Fachin avocou a competência geral do caso, restabeleceu provisoriamente o comando da polícia e abriu o prazo para esclarecimentos formais. Com as manifestações de defesa e da AGU concluídas, caberá ao presidente da Suprema Corte emitir o veredito final sobre o comando da instituição policial.

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