sábado, 19 setembro 2026
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Censo 2022 revela desigualdade habitacional para PCDs no Brasil

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Pessoas com deficiência vivem em piores condições de moradia, diz IBGE

Censo 2022 revela desigualdade habitacional para PCDs no Brasil Pessoas com deficiência enfrentam moradias mais precárias, menor acesso a saneamento e internet, além de barreiras no transporte e na política.

As moradias ocupadas por pessoas com deficiência no Brasil apresentam condições estruturais inferiores às do restante da população. Recortes do Censo Demográfico revelam disparidades no acesso a serviços essenciais como saneamento básico, coleta de lixo, água encanada e conectividade digital.

Déficit no saneamento básico e vulnerabilidade estrutural

O saneamento é um dos gargalos mais evidentes. Apenas 59,8% dos cidadãos com alguma deficiência contam com rede coletora de esgoto ou fossa séptica em seus lares, índice que sobe para 63,1% entre quem não possui limitações funcionais. Quando considerados conjuntamente o esgotamento, o abastecimento regular de água e a coleta de resíduos, a cobertura plena alcança 56,6% dos domicílios com PCDs, frente a 60,2% das demais residências.

Separadamente, o fornecimento de água potável por rede atende 82% dessa população (contra 83,1% do outro grupo), enquanto a coleta de lixo chega a 90,1% (contra 91,1%). Além disso, 2,4% dessas famílias não dispõem de banheiro privativo e 1,4% habitam construções com paredes de materiais frágeis ou improvisados.

Menor acesso a tecnologia e conforto doméstico

A exclusão também se manifesta no acesso a bens duráveis e comunicação. Enquanto nove em cada dez casas sem pessoas com deficiência possuem conexão à internet (90,2%), o percentual cai para 78,9% nos lares com PCDs. A presença de máquina de lavar roupas registra diferença semelhante: existe em 60,4% dos imóveis desse grupo, contra 68,9% nos demais.

O único indicador habitacional numericamente mais vantajoso para pessoas com deficiência é o adensamento excessivo: apenas 3% vivem com três ou mais moradores por dormitório, comparado a 4,8% do restante da sociedade. O fator determinante para essa diferença é a idade avançada de grande parte do contingente, que tende a morar sozinha.

Tempo no trânsito e barreiras de mobilidade urbana

O deslocamento para o trabalho impõe obstáculos diários adicionais. O tempo médio de viagem até o emprego é 12% maior para profissionais com deficiência, somando cerca de 37 minutos diários, contra 33 minutos dos demais trabalhadores.

Essa diferença decorre da dependência de modais mais lentos ou desgastantes: 24,7% utilizam ônibus ou BRT, 23,7% fazem o trajeto a pé e 7,8% pedalam. Já o uso de automóveis próprios ou táxis é mais restrito (22,8% contra 32,8%), assim como o de motocicletas (14,3% contra 17%).

Representatividade política e gestão pública municipal

No cenário político, a presença de lideranças com deficiência perdeu força. As eleições municipais de 2024 elegeram 415 candidatos PCDs, uma queda em relação aos 578 registrados em 2020. O número de candidaturas totais também encolheu de 6.409 para 4.813 no período. As cadeiras de prefeitas caíram de nove para apenas uma, enquanto prefeitos eleitos passaram de 47 para 23.

Em contrapartida, o Poder Executivo federal ampliou a inclusão: a fatia de servidores federais com deficiência saltou de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025, impulsionada pelo diagnóstico e ingresso de pessoas no espectro autista (TEA). O av

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